segunda-feira, 13 de junho de 2011

Me leva pra casa...!?




Muitas pessoas já ouviram este pedido, mas muitos poucos tem a coragem de ouvi-lo olhando nos olhos de quem pede, mesmo porque quase nunca se deixam ficar em situações como esta.

É...

É o ser humano e suas necessidades, suas lógicas, suas conveniências, seus...

Sei lá o que.
...
A criatura humana, nasce, cresce, vive, às vezes se humaniza e morre, assim é o real ciclo da sua vida; se retirarmos o humano e seus derivados este ciclo fica válido para tudo o que há na natureza.

A criatura em causa, a humana, tem como gene recessivo a humanização motivo pelo qual é tão difícil ao homem assumir as suas responsabilidades, em especial as de origem moral.

Quantas pessoas você conhece que vão a um asilo ou a um orfanato, ou foram a algum destes locais pelo menos uma vez na vida?

É...!

E com regularidade?

É dureza.

Estes locais guardam em seu bojo criaturas rejeitadas pela família, pela sociedade, e até mesmo pela vida.

Independente do motivo lógico que culminou neste fato, ele sempre é validado pelo custo financeiro, moral, social, de saúde ou físico, é sempre em função do custo, do ônus ou de uma responsabilidade sabidamente válida que também é indesejável em função, mais uma vez, do ônus que poderá vir a existir.

A felicidade não tem nestes locais morada fixa, nem mesmo é o normal desta uma visita casual; ali tem residência fixa a solidão cuja liderança é feita pela mais cruel das solidões, a coletiva.

Nos asilos, a solidão é assessorada em seu labor destruidor do espírito humano pelo desespero que é a espera pelo desconhecido; se num orfanato, a solidão tem como assessores na destruição do futuro humano, senão do próprio humano, o desamor, a frieza, a discriminação e os tratos indevidos quando não, maus tratos.
...
No orfanato a criança procura a mãe ou o pai em meio a uma multidão de desconhecidos; nesta busca infindável pela segurança da mãe ou do pai, a criança olha para cima e a cada rosto que vê seu rosto esboça um sorriso e pensa “achei!”, então descobre e sempre de forma amarga que nada achou, mas ela continua e continua, o sorriso que outrora iluminava-lhe o rosto agora apenas mostra uma tímida esperança no mais intimo do seu espírito, mais uma vez e outra mais descobre que nada achou, o tempo vai passando imperturbável até que a criança exausta passa a esperar o desconhecido depois, por um milagre e por fim nem isso, apenas espera, espera crescer, espera viver mais um dia, espera poder sonhar enquanto olha para cima e se vendo um novo rosto pergunta-lhe com os olhos e a voz:
...
No asilo o idoso tenta entender como chegou ali, em meio a uma multidão de desconhecidos, em uma casa que não a sua; olha em volta e não vê um único conhecido, nenhum parente, só estranhos a passar sem o ver e os que o veem lhe dão ordens que não consegue entender; sua vozes não são familiares mas a dureza delas o é; perde-se o ancião em seus pensamentos, procura onde errou e nada acha, procura por alguém para explicar o que se passa consigo mas todos são mudos; em desespero chora, chora e é reprendido; então é o espírito que chora e ninguém vem a consolá-lo; espera pelos seus mas estes não vem, então passa silenciosamente a esperar, passa a esperar pelo desconhecido, depois por um milagre, por fim nem isso apenas espera e espera, espera viver mais um dia, espera poder sonhar enquanto olha para cima e se vendo um rosto novo pergunta-lhe com os olhos e a voz:

“ - Você vai me levar para casa?...


mkmouse




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