quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

E a Festa Continua.



Vai começar tudo de novo...

Outra vez...

Terminou o carnaval, e para não atrapalhar a farra dos foliões o horário de verão que terminaria à meia noite de sábado próximo passado acaba no sábado próximo vindouro à meia noite.

Com a saída de cena dos carros alegóricos, dos foliões e a rápida passagem dos garis pelo trecho, uma nova alegoria desponta no horizonte da passarela dos desfiles bizarros plena em sutilezas.

As eleições de 2012.

Este evento cujas proporções são continentais, posto ser o Brasil um pais continental, açambarca não só os poderes constituídos e vitais do mesmo mas, e também, ofusca deliberadamente poder decisório de um povo.

Os meios de comunicação em unanimidade perdem-se em favoritismos majoritários ou poderosas chantagens, divulgando verdades da forma que lhes é mais útil e via de regra transformando estas verdades em meias mentiras, sofismas, que beneficiam seus pupilos ou clientes e não a uma administração pública de boa qualidade.
A imprensa (toda ela) nestes eventos, porque não diuturnamente, existe apenas para prestar um desserviço ao público e um precioso serviço ao poder em vigor ou ao seu cliente pagante.

Pelos meios de comunicação, em especial aos que fazem o seu trabalho de forma massiva, ou aos que se rogam formadores de opinião, rolam fortunas imensas e o pior, não só manipulam como também são manipulados por poderes inimagináveis pela indefesa população de um mundo cada vez mais globalizado, carente de verdadeiros líderes e de mitos plenos em honra, compaixão e humanidade.

Que mais pode existir em um país que não tem líderes cobertos em honra, de caráter ilibado e de uma honestidade impecável senão uma farra moralmente irrefreável e com uma constância de fazer inveja aos sonhos mais loucos dos mais extremistas dos carnavalescos profissionais.

O carnaval de 2012 acabou.

Mas a farra continua.

Mas não para todos desta feita, ela (a farra) não é tão democrática assim como se apregoa aos quatro ventos, esta só existe para os afortunados que encontram-se aninhados nos lácteos seios do poder em vigor ou que virá a vigorar (o que não é tão incomum assim).

Agora é a hora e a vez das apostas, do investimento mínimo possível na busca dos lucros milionários que a roda da fortuna certamente trará aos que usarem da esperteza, da vilania, da desinformação e do “boi de piranha”; boi este que por sinal nada tem a perder, como seria de se esperaria em uma honesta comitiva, em uma honesta boiada, mas tudo a ganhar quando cair as cortinas finalizando este pobre e magro ato público gratuito, enquanto os aplausos de um atento público, mais que cativo, massageia o ego do (velho) mais novo poder emergente.

É a hora e a vez da ultimação das velhas e rotas alianças, do cozer de tramas inimagináveis ao universal sulfrageante; a hora e a vez de convocar à uma lide pusilâmine os meios adequados de comunicação de maça; é a hora e a vez de negociar um valor minimo para a honra e a fé humana.

Infeliz é o país que é dominado por partidos, por minorias organizadas, por pessoas cujo rosto é ignoto, cujo rosto é a multidão e cujos interesses desconhecidos o são até mesmo pelas mais confiáveis pessoas do seu secto.

Para estes povos nada mais resta que ser apenas títeres de forças que nem mesmo sabem ou imaginam quais possam ser.

Para estes povos o sonho máximo e isto somente para quem é “chegado” ao poder é a nomeação; uma pura, simples e mesquinha nomeação (lucro fácil, poder), nada a mais ou além disso.
São Paulo, 22 de fevereiro de 2012

mkmouse

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Diferença Entre “O Poder.” e “O Puder!!!”




   É de conhecimento geral o desabamento de três prédios no centro da cidade do Rio de Janeiro esta semana, pelo menos é o que eu penso.

    Este acontecimento me levou a pensar sobre um tema que sempre trago à baila, o conhecimento e o mérito.

    Hoje em dia para ser um elemento decisivo e de decisão no contexto de uma família, de uma empresa (irresponsável), de uma sociedade (mais irresponsável ainda) ou de um governo (sem comentários) é essencial que seja um político de carteirinha bem relacionado na situação politica que foi a sua opção, bem como junto aos sindicatos e órgãos tidos e havidos como legítimos representantes da vontade e dos direitos de setores de uma sociedade; mas na ausência desta qualidade imprescindível para a obtenção de um bom e bem remunerado cargo em qualquer lugar deste mundo é necessário ser um “chegado” de algum político em evidência ou ter poder de barganha (chantagem) com alguém que pode decidir ou é um político em atuação no governo daquilo que se quer ou, de onde se quer chegar.

    Resumindo, para ser uma “criatura” bem sucedida hoje em dia além de ser um ativista político por profissão, tem que ser uma pessoa politicamente correta e uma aliada declarada e ferrenha dos Direitos Humanos (só para quem não precisa deles, não é nem de longe uma vítima ou, que faça parte da sua “panelinha”)

    Hoje em dia, quem tem o controle das coisas são as pessoas politicamente corretas e politicamente indicadas para as posições; o mérito do cidadão ou da pessoa não quer dizer nada além de nada significar e são estas pessoas (cada vez em menor número e concursadas na rigorosa forma da lei) que são relegadas, destinadas, a escalões de comandos cada vez mais e mais afastados das decisões graças ao imenso e crescente número de “criaturas” dotadas de muitos e poderosos direitos a ser exigidos com muito pouca ou nenhuma obrigação ou dever a ser cumprido.

    A meritocracia é hoje em dia um horroroso palavrão, uma ofensa imperdoável, um pecado mortal em todas as organizações, sejam elas públicas ou privadas inclusive dentro e para as famílias também.

    O pior desta observação é que esta visão de comando é de abrangência mundial.
   É possível dar-se conta disso facilmente, pois o primeiro sinal da sua instalação é o cultivo, o culto e o incentivo á ignorância.

    É possível medir-se a velocidade com que esta desgraça avança sobre a humanidade apenas observando o crescimento da exaltação e do cultivo da vagabundagem, o crescimento do incentivo à ociosidade e do consumismo indiscriminado e irresponsável, o crescimento da aceitação popular ao crime como um evento da normalidade social; com a velocidade do crescimento da ideia da legalização do crime ou a sua transformação em uma sociedade na qual, logicamente, os criminosos tem mais direitos que as suas vítimas; enfim, no acelerado crescimento do menosprezo e do desprezo severo e implacável ao trabalho honesto, à honestidade, à vida e à honra humana.

    Quanto maior for a velocidade de crescimento destas aberrações nas “criaturas”, maior será o grau de degradação intelectual, moral e social da espécie posta em evidência.
    A instalação deste caos nas sociedades públicas, civis, religiosas e militares é vista nos resultados, quase sempre catastróficos, obtidos por estas políticas a médio e principalmente a longo prazo em suas áreas de abrangência ou atuação; sob a direção ou governo mais obtuso os resultados são mais catastróficos ainda além de muito mais rápidos, quase que imediatos.

    Quando a instalação desta desgraça for definitiva o fim da sociedade como estrutura e coletividade será eminente e inapelável, o retorno (na melhor das hipóteses) ao primitivismo, depois ao barbarismo e por fim ao animalesco passa a ser só uma questão de tempo.

   Esta é a sequência, a determinação final de como será definitivamente a realidade, o futuro, para os felizes sobreviventes desta época de liberdades, de democracia global e irrestrita.

    Quer ver uma luz nesta escuridão de futuro?

    Então tire os óculos do preconceito, do partidarismo e do politicamente correto.

    Quer ver um exemplo prático e agora deste futuro?

    Então esqueça o que diz a mídia e como já foi dito, sem os óculos a obliterarem a sua visão, tire da sua mente o ranço da politicagem e será necessário apenas olhar à sua volta para ver para onde está indo, ou para onde está sendo levado com o seu mais pleno consentimento.
     Agora fica mais fácil explicar o que é “o Poder.” e “o Puder!!!”.

    O “Poder.” demanda e é determinado somente pelo conhecimento e pelo mérito humano, é sempre voltado a interesses maiores, altruístas e evolutivos.
   O “Puder!!!” demanda e é determinado pela politica e pelos interesses menores é consagrado pelo populismo e é voltado para busca das mesquinhezas humanas, para a concretização dos interesses de minorias organizadas e o premiamento do egoísmo com benesses bem individualistas. 
   O “Poder.” jamais corrompe ou é corrompido; busca o bem e o bem estar comum, tem mais deveres a cumprir que direitos a buscar; chega a seus objetivos através do trabalho honesto e trilha por caminhos nem sempre plenos em felicidade mas compartilha com todos indiscriminadamente o que tem ou produz de bom e agradável.

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   O “Puder!!!” é só corrupção e mentiras; busca a felicidade para uns poucos e apregoa pelo continuísmo e através da democracia o dia em que todos os seus eleitores, correligionários, seguidores ou afeiçoados serão felizes; trilha por caminhos tortuosos mas repleto de prazeres e riquezas para si mesmo onde refestela-se em um festim nababesco do qual, as migalhas que escaparam aos cães, compartilha egoisticamente e de forma discriminada com seus “companheiros” menos afortunados mas de mesma sorte política.






São Paulo, 27 de janeiro de 2012

mkmouse



domingo, 8 de janeiro de 2012

Meu Amigo, Filisberto



Estava eu a trocar ideias várias com o meu amigo Filisberto quando o tema dos eventos da natureza veio à tona.

Ficou claro para mim que meu amigo não conseguia entender patavinas de como o ser humano conseguia ser pego constantemente pelos mesmos eventos e sofrer tanto com eles.
Do que para ele escapar é simplesmente o ato de “seguir o chefe”; para os homens escapar destes eventos é algo que se mostra normalmente impensável.

Qualquer criatura viva sabe quando a mãe natureza vai fazer algo que pode ser perigoso para a sua espécie e logicamente se protegem, mas os seres humanos sabem que isto seguramente vai acontecer e ficam para enfrentar a fúria dos elementos que sabem seguramente não poderem controlar e menos ainda, vencer.

Esta negação, esta ignorância dolosa do instinto de sobrevivência por parte dos homens é incompreensível na natureza, no reino das coisas vivas, na criação.
Esta condição na criatura humana é tão esdrúxula que os mesmos são capazes de sacrificar os entes queridos nestas empreitadas; é isto pois a completa inversão do valor do altruísmo tão caro e raro na natureza das coisas.

Tive eu, portanto, que explicar ao meu singular amigo o motivo para este absurdo tão estapafúrdio, tão estúpido, tão insensato.

Deparei-me de imediato e para a minha infelicidade, com uma empreitada Homérica para não dizer astronômica e só a ideia de passar por um perfeito idiota aos olhos e ouvidos do meu letrado amigo, fez-me prosseguir neste insano intento.

Para iniciar disse-lhe que os homens alojam-se em locais onde as intempéries da natureza assolam com violência invulgar para poderem sobreviver.

No que fui contestado com um argumento irrefutável.

- Está me dizendo que para sobreviver o homem se mata; não é por ventura isso a antítese do objetivo primordial?
No que eu replico:

- Não é bem assim, onde morava o retirante a sobrevivência é difícil, conseguir o sustento para si e para seus entes queridos passa por caminhos às vezes de trânsito extremamente difícil; a subjetiva mas honrada pobreza com eles reside com as mesmas prerrogativas dos membros da família e isto posto, mesmo que não só da terra o sustento a família tira, pois que um trabalho outro mui raro o é e parco é o seu estipêndio, mais ralo o é este que o salarium das mortas legiões romanas.

Meu amigo então treplica:

- Não seria pois mais honrado e de bom alvitre em seu lugar e eira permanecer, posto que só a pobreza o acompanha e que à governança cabe o ônus legal de prover a evolução dos governados em seus domínios?

- Claro e nítido o é aos meus olhos, que o retirante da pobreza aninha-se nos lugares mais vis das populosas polis e na busca por labor de pecúnia mais compensatória encontra apenas e sempre a sutil e servil escravidão, desta feita não só ao patrono que o emprega como por vezes outrora se fazia, mas também ao chefe e subchefes da governança imposta à urbe onde mora sem contudo, receber da lei e do estado legal as garantias que lhes são cabidas e constituídas; destes apenas recebe e sem tardança a cobrança integral da lei, em sua forma e letra toda vez que a malfadada sorte o vier a bafejar.
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- O retirante não é mais agora um pobre, desfez-se da pobreza que vestia por natureza (mas mutável) e tornou-se, por simples e mera opção em um definitivo e imutável miserável.
Começo a me sentir o perfeito idiota; e explicando o inexplicável prossigo com o meu argumento.

- Reconheço que a proteção da lei não recai como deveria aos menos afortunados e em especial à aqueles desprovidos dos apadrinhamentos de praxe mas estes, no afã de mais querer, enredam-se nas malhas da miséria voluntariamente parecendo desconhecer que o princípio básico do sofrimento é o quer mais, o consumismo, a busca utópica pela felicidade plena em sua forma mais material; neste mister os que tem como dever cuidar e cuidar bem da sociedade, seguem os desregrados passos do lucro fácil mas devasso, libertino, licencioso, dissoluto, criminoso e vil, dando como opção ao retirante e à sua prole apenas uma ansiedade louca e desmedida, o sofrimento imensurável e quase sempre a morte e esta quando não moral, será miserável e ignota; é o prêmio por sua ousadia em querer mais do que já tem, almejar algo além do que lhe é próprio e do berço, pela terra que queria justamente dividida e pela justiça que queria ver perfeita.

- A culpa pelo infortúnio que os assola não está no poder público legalmente constituído mas sim no indivíduo (cara um de per si) o flagelado, o mesmo que se aliena em definitivo através do uso de seu mais pleno livre arbítrio da cultura, da educação, da moral, da honra e do conhecimento para enfim apenas viver e viver mesquinhamente de prazer em prazeres, de sonho em sonhos, de fantasia em fantasias, abandonando completamente o porvir seu e de todos os seus nas mãos dos mais diversos interesses, todos absolutamente inconfessáveis.


Agora, um confesso perfeito idiota, ouço a conclusão do meu amigo.

Filisberto

- Entendo...

- As pessoas conseguem morrer por ignorância da própria ignorância, por cultuar a ignorância, por fazer dela um meio de vida e isso na natureza um burro nem outro animal, qualquer que seja ele, em sã consciência é capaz de conseguir.


São Paulo, 08 de Janeiro de 2012

Mkmouse


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Última de 2011








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Para encerrar o ano de 2011, envio a todos os meus leitores e leitoras um voto de esperança na felicidade neste Natal e que ela se estenda centuplicada para além do ano que vem e este, lhe traga muita saúde, paz e prosperidade.













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Para comemorar estas datas coloco à disposição de todos o clipe abaixo, clique e tenha um bom divertimento; até 31 de dezembro de 2011 no meu site www.mkmouse.com.br e até Janeiro de 2012 neste Blog.







Little Drummer Boy - Celtic Womans 2007

mkmouse



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Resenha do Rato.


    Pois é 2011 esta terminando e 2012 chegando.
    Gozado...

    Não existe uma pausa para descanso entre a saída de um ano e a chegada do outro; será que a mudança de ano não é como o nosso dia a dia onde a gente tem um tempo para descansar entre um dia e outro?

    Não existe uma noite de sono reparador entre um ano e outro?

 
(3)

    Em 2011 o rato saiu da toca, como sempre saiu e sairá, escreveu sobre um mundaréu de coisas neste blog e na revista Mkmouse; foram os mais variados temas assim como variada é a vida.

    Já na boca da minha toca, na frente do mundo, o panorama que se descortina é uma amostra do que virá a ser visto, a acontecer, pelas trilhas que irei percorrer a cada passeio que faço pelo relativismo da realidade; diferente este a cada caminho, trilha, que tomo a cada saída que faço.

(3)

    É no passeio que descortina-se os detalhes do caminho, tão conhecidos e familiares para a tartaruga(1) e quase, senão desconhecidos, pela célere lebre.

    Foram destas visões peculiares ao percurso escolhido que resultaram nas postagens menos abrangentes, a cada tema mais específico e eu sei que nem por isso as postagens ficaram mais fáceis de ser compreendidas; a visão de um evento é algo tão individual como são as nossas digitais.

(3)

    Mas é na volta para a toca, mesmo que o caminho de retorno venha a ser o mesmo da partida o que é quase impossível de ser conseguido, bem como no momento de minha saída dela, momento este em que contemplo a infinitude de caminhos a ser percorrido, é que posso ver o todo como um corpo único; fugazes momentos estes em que o coletivo se sobrepõe ao individualismo da identidade, da verdade sempre pré-concebida e a realidade tenta se mostrar em meio a uma espessa e massiva névoa de ignorância.

    Neste momento este rato sente-se como que sentado nas profundezas de um labirinto de túneis a ver no meio da escuridão nada além de mui apagadas e escuras sombras fugidias, amorfas, a deslizar por paredes para mim invisíveis mas seguramente não planas(2).

    Mas agora o rato começa a se preparar para descansar entre os dois anos, pois compreendeu que existe uma folga para descanso entre um ano e outro.

    O segredo é o dia; o ano de 2011 termina em um dia e o ano de 2012 começa em outro e este rato pode e logicamente descansará, entre os dois dias logo entre os dois anos, exatamente como fez na passagem do milênio e o que parecia inicialmente ilógico agora nada mais é que simplesmente um fato do cotidiano do homem.


São Paulo, 13 de dezembro de 2011
Mkmouse



    (1) Referência à fábula atribuída a Esopo (fabulista grego (?) do século VII A.C.) “A Lebre e a Tartaruga” recontada por Jean de La Fontaine (1621 - 1695).

    (2) Referência à “Alegoria da caverna”, A república – livro VII, Platão (427AC a 347AC).

    (3) Fotos montagens de Mkmouse, as fotos são da NASA e a nave é a Discovey do filme de 1968 “2001 – Uma Odisseia no Espaço”.




quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Relativismo da Nossa Verdade e do Nosso Tempo.

    Agora que os princípios básicos da incerteza foram expostos nas duas postagens anteriores fica mais fácil entender a raiz dos conceitos indefiníveis, mas nem mesmo de longe isto trás alguma luz, ou esclarecimento, a algum deles.

    Não ficou nada mais fácil entender o que é a verdade absoluta, mas ficou mais fácil entender o relativismo de tudo o que é conceito primitivo inclusive a verdade.

    Observemos a história por exemplo, ela é uma verdade posto que a história tem como finalidade ser um relato fiel de algo em um período qualquer no tempo e no espaço.

    Tomemos como exemplo, mais uma vez, a história da existência do homem sobre a face da Terra e dentro deste conjunto tomemos, como modelo, o subconjunto que contém o tempo e a região onde ocorreu a batalha das Termópilas (480 AC).

Busto de Heródoto, cópia romana do século II,
no Stoa de Átalo, Atenas

    Tomo como base para o relato da verdade histórica o que foi declarado por Heródoto de Halicarnasso (485?-420AC).

Bodrum, atualmente (antiga Halicarnasso) - Turquia
  
  “O resumo da ópera” é o seguinte:

"Xerxes, King of Persia"
as portrayed by Guillaume Rouille (1553 AD)

    O Rei Xerxes, da Pérsia, resolvera subjugar os povos do Peloponeso ao seu império coisa que seu pai, Dario I – O Grande, não conseguira em 490AC na batalha de Maratona, batalha esta que marca o final da primeira gerra Médica; estes povos estavam (só para variar) em guerra com outras cidades-estado do Peloponeso e para aumentar a confusão era um ano de Olimpíadas e os “estatutos” destes povos rezava que em época de jogos olímpicos as hostilidades entre as polis deixaria de existir, logo o “Rei dos Reis”, como se intitulava Xerxes, deveria se aproveitar desta “deixa” para conseguir o seu intento visto que os povos do Peloponeso deveria oferecer pouca ou nenhuma resistência por força de não estarem nesta época devidamente preparados para enfrenta-lo; era o início da segunda guerra Médica, era verão no ano de 480AC.

    O problema é que Xerxes esquecera-se de foram os gregos que inventaram o “Presente de Grego” quase 1.000 anos antes dele, o qual foi certamente fundamentado nos famosos presentes dos deuses (gregos) para os homens (gregos ou não).

A queda de Troia,
por Johann Georg Trautmann (1713–1769).
Da coleção dos grão-duques de Baden, Karlsruhe.

    As polis vendo-se ameaçadas por uma força “bárbara” abandonaram suas guerras intestinas e uniram-se em uma Liga para combater os persas, esta Liga colocou o rei dos espartanos, Leônidas I, (só Leônidas para os íntimos) no comando das forças de combate da Liga.

    Mas até os fanáticos espartanos (os extremistas alienados da época) sabiam que não tinham forças suficientes para enfrentar o exército dos persas e resolveram estrategicamente dar-lhes combate no desfiladeiro das Termópilas (como queria Atenas).

Uma falange de hoplitas gregos

    E não deu outra, Xerxes “dançou bonito” nas mãos dos gregos por seis dias, até o seu exército dos 10.000 imortais comandados por Hidarnes “se ferrou”, perdeu a sua famosa imortalidade ali e para sempre.

Archers frieze Darius palace Louvre AOD487

    Mas como sempre acontece na história, na vida do homem sobre a face da Terra, no sexto dia apareceu no acampamento persa o Sr. Efialtes (filho de Euridemo) de Mális, mais um desertor e logicamente sob estas circunstâncias, um traidor.

    O “Rei dos Reis” da época, entusiasmado com a nova perspectiva de vitória rápida convocou o que restou dos seus (agora quase) imortais e mandou-os à noite guiados pela “traíra do” Efialtes (com um nome destes só sendo traidor mesmo)  pelo novo caminho para atacar Leônidas pela retaguarda e os Fócios (eta nominho danado), defensores da retaguarda de Leônidas, pegos de surpresa e tarde demais para qualquer reação “deram no pé” deixando, enquanto fugiam, Leônidas ciente “que a vaca tinha ido pro brejo” mais cedo.

    Leônidas I, Rei de Esparta, dispensou os não espartanos da luta e ficou para combater os persas com 300 guerreiros, os famosos 300 de Esparta, foram estes que protegeram a retirada do restante do exercito grego a salvo de uma luta desastrosa.

    Segundo a história todos os espartanos morreram e Xerxes pode por fim seguir o seu caminho em paz; chegou a Atenas, que estava vazia, a saqueou e depois a queimou.

    A briga foi rolando até a batalha naval do estreito de Salamina onde o “Rei dos Reis” virou apenas Rei dos medos-persas e teve que regressar derrotado à Pérsia, no entanto o golpe final dos gregos sobre os persas foi dado na batalha da planície de Plateias na Beócia em 479 AC. (ai eu me pergunto: - Será que havia uma boa plateia naquele dia ali para ver esta novíssima e tão aguardada peça grega?)

Planície de Plateias 479AC

    Fim do “Resumo da Ópera”.

    Agora que vimos um pouco de verdades históricas voltemos ao tema, o relativismo da verdade neste caso, histórica.

    Sob o ponto de vista dos espartanos daquela época (o que tem que ser obrigatoriamente, não existem mais espartanos hoje em dia a não ser em forma de figura semântica)  eles não foram derrotados pelos persas e sim morreram para entrar definitivamente na glória eterna.

 Leônidas nas Termopilas – Jacques Louis David (1814)

   Sob o ponto de vista dos persas os gregos sofreram uma derrota retumbante nas Termópilas.


    No ponto de vista dos componentes da Liga dos povos do Peloponeso, a batalha das Termópilas foi um sucesso, uma vitória, uma gigantesca vitória tática sobre os persas cujo exército lhes era imensamente superior em numero e armas, não só no desfiladeiro das Termópilas mas em todo o Peloponeso.

Monumento erguido a Leônidas I nas Termopilas em 1955DC

    Sob o ponto de vista do “traíra”, o Sr. Efialtes, ele foi o verdadeiro vitorioso pois enquanto os reis brigavam ele se mandava, “na surdina” com o lucro; isto é, se os persas não o mandou para “Os Quintos dos Infernos” ou melhor, para o Hades mais cedo, já que “Os Quintos dos Infernos” só passou a existir, ou melhor ainda, chegou às nossas paragens idílicas abaixo da linha do Equador, com a entrada de Napoleão no senário europeu e consequentemente a chegada do Rei de Portugal ao Brasil; coisas da “Terra Brasilis”.

Ilustração medieval do inferno - Hortus deliciarum
manuscrito de Herrad de Landsberg (≈1180).

    Uma coisa é certa, nenhum deles está errado.

    Todos os envolvidos, cada um deles, disseram a verdade sobre o resultado final daquela batalha no desfiladeiro das Termópilas em 480AC.

    É assim que funcionam as coisas, são sempre os vitoriosos que escrevem ou ditam a história que você deve conhecer, que escrevem ou ditam a verdade que você deve acreditar, só raramente, muito raramente uma vós destoa nesta concordância absolutista, monocromática e cegante, alguém se recusa a permanecer na ignorante inanição patrocinada pelos deuses da época ao seu tempo, ao seu interesse e aos seus plantéis.

Ratazanas vitoriosas escrevendo uma verdade convincente para os seus povos

São Paulo,  23 de novembro de 2011

Mkmouse


terça-feira, 15 de novembro de 2011

E Deus fez a Luz...

  Antes do que foi relatado na postagem anterior (E Deus fez a Segunda escolha), era apenas a Essência; Essência que em um instante de tempo(1) antes do momento atemporal do relato, atingiu todo o seu infinito potencial de conhecimento; foi a partir deste momento até o momento da escolha o teor do relato.

    Agora, o que temos é a consequência da escolha.

    Assim que a escolha foi feita o todo se fendeu (partiu-se) nas infinitas partes que o compõe e estas por sua vez repetiu o feito que a antecedeu e o repassou a cada uma das infinitas partes que compunha o todo original (ora subdividido-se) após a si e isto se repete ate a cegada da parte mais elementar da Essência primordial.

    Neste ponto é a partícula elementar que transforma em temporal o atemporal, em substância a insubstância e em espaço o não espaço sem no entanto perder a sua individualidade.

    Uma vez completado o processo o elemento primordial funde em uma só “coisa” o que dele foi criado e une-se intrinsecamente a eles e a cada um deles; sem no entanto destruir-se, expande-se em focos de luz, sombras e matéria com todos os seus similares, opostos e suas consequências, potencializando tudo até o infinito.

    A partir deste ponto o sentido de tempo, espaço e matéria começa a fazer sentido e a existir dentro do contesto da criação, no instante seguinte a este momento inicia-se o universo em que vivemos.

    Isso ocorreu, ocorre e irá ocorrer em cada uma das infinitas unidades primordiais do todo, da Essência e nenhuma delas cria, criou ou vai criar um universo sequer semelhante a algum outro que existe, existiu ou vai existir.

    Neste ponto as lembranças coletivas mais remotas começam a ceder espaço para as lembranças coletivas da criação e posteriormente, muito posteriormente, os seus arquétipos.

 
Saturne, dévorant un de ses enfants.
Simon Hurtrelle, 1699, Le Louvre

    Estes universos primordiais são como pessoas isoladas em seus mundos; coexistem, sabem da existência uma das outras, podem até se comunicar mas ainda não se tocam ou interpenetram neste estágio e cada um deles contém em si os seus opostos, suas dimensões seus tempos particulares suas leis, suas regras e a sua identidade única.

    E Deus disse:

Faça-se a Luz(2).

 
… E a luz se fez ...

    Quando o clarão da criação se desfez a vida existia e tudo o que fora criado agora é vida, toda a vida que fora criada começa instantaneamente a evoluir, a adquirir conhecimento e cada uma delas ao seu devido tempo, à sua peculiar maneira, começou neste instante a caminhar de volta para casa, para unir-se ao seu conjunto original, atendendo assim ao irresistível chamado do lar, das origens, onde deve chegar um dia, para sempre, trazendo consigo a vivência de um conhecimento, completo, infinito(3).

    Neste momento o todo atemporal, insubstancial e indivisível estará para sempre completo ao infinito; não mais conterá o conhecimento e sim é, foi e será, tudo ao mesmo tempo, o conhecimento.

    Só aí você se descobrirá, se reconhecerá e conhecerá a verdade para então poder escolher:

    Ter todo o conhecimento ou ser todo o conhecimento(4).

(1) Toda a referência a tempo é apenas uma simples e mera figura de linguagem já que falávamos anteriormente e ainda estamos falando de eventos atemporais até quase o fim desta postagem.

(2) As referências a este processo criativo estão de tal forma dispersos pelas mais antigas escrituras e pelo mundo afora que fica muito complexo coloca-los em alguma ordem seja ela qual for;    não me parece prático, e isso para não dizer impossível, no momento ordenar de alguma forma as memórias do inconsciente coletivo da criação.

(3) A partir deste ponto o texto volta novamente a ser atemporal e imaterial como no início.

(4) A Criatura é só um sonho; apenas mais um sonho dentro da realidade fantástica que é o sonho do criador; e é esta criatura, é este sonho, que um dia também se tornará um criador.


São Paulo, 14 de novembro de 2011

Mkmouse