quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

E Agora Zé?


Prólogo
      Como este ano de 2014 promete muitas festas sociais no Brasil, e estas provavelmente terão “muito pouco pão (cachaça pra dar com páu em todos os estádios e arredores) e muito, mais muito circo mesmo”, resolvi antecipar-me e montar o meu picadeiro próprio e virtual neste meu blog.


     Com isso antecipo-me ao carnaval de 2014, aos escândalos políticos que antecederão as festas juninas, ao carnaval da FIFA que dará o embasamento necessário aos vitoriosos das eleições deste ano; antecipo-me á semana da pátria, pátria esta que por sinal ninguém tá nem aí para ela mesmo (só os estrangeiros), antecipo-me às eleições de 2014 que é a apoteose máxima da demoniocracia política do Brasil.
      Antecipo-me também ao dia das crianças, ao dia de ação de graças...???

      Pera aí...
      Isso não é aqui não, é la nos EUA, esquece.
     Por fim antecipo-me ao natal, ao ano novo e à posse dos felizes e saltitantes vitoriosos das eleições de 2014, onde certamente o PT ganhará com maioria esmagadora dos votos por todo este país das maravilhas, para a felicidade de todas as Alices brasilianas e contrariando todas as expectativas dos mais honestos “IBOPES” da vida e do mundo.
      Em assim sendo torno público o poema abaixo, de minha lavra é claro.
     Para tanto escudei-me em (não menos que) Carlos Drumond de Andrade, ora essa!

E Agora Zé?

A festa está começando,
o povo está chegando.
Nem raiou o dia ainda,
mas você está na berlinda.

Você, um número somente,
só um bilhete, um acento,
apenas um copo de pinga,
corpo vazio, uma ginga.

Um Zé ninguém que de repente,
do nada, pisa no cimento,
sem méritos, conhecimentos;
com causa, mas sem nascimento.

Vazio a zombar de todos,
de versos és só um engodo,
a viver pensando que ama;
protestar; sabes só na lama!

Um homem sozinho sem mulher,
sem condições, sem um discurso,
sem carinho, com uma colher
e um prato fundo sem uso.

Já não mais deveria beber.
Já não mais deveria fumar.
Cuspir então nem sequer pensar.
Alguém que só virtual, é ser.

O dia chegou, então passou.
A noite chegou e esfriou.
A noite passou barulhenta
mas o frio não foi, encrenca,
O dia não veio, ficou,
A condução não chegou, parou.
O riso perdeu-se, no veio;
do meio da urbe sem nome,
a utopia é, não veio.
E tudo acabou insone.
Todos sumiram, deram no pé.
Tudo mofou, morreu sem nome.

O que vai fazer agora, Zé?
Com sua palavra vazia.
Com o seu instante de banzé
se livros, só lhe dão azia.

Com a guia enforcadora;
sua palavra, ouro, mente.
Incoerente, fez da hora,
completa e inconsequente,

O seu terno era de vidro.
O seu ódio incontido
Com uma pobre chave na mão
quer abrir o futuro então,

Mas não existe esta porta.
Quer morrer no mar ou na horta;
que plantou, mas o seu mar secou,
a sua horta foi-se, mingou.

Quer então fugir; ir pra casa.
Mas casa não há mais para ir.
pois casa é de todos, asas;
e agora Zé, qual o porvir?

Se gritasse quando em tempo.
Se gemesse quando em tempo.
Se você tocasse a valsa,
e não de Cuba uma salsa;
cantando como é correto,
você iria dormir em paz
como deveria ser, assaz;
Talvez morresse, então certo.

Mas você não vive, nem viveu,
você não morre, vive morto.
O Tártaro é seu, Briareu!
Você é duro Zé, é torto!

Seu fim é só e no escuro
qual bicho-do-mato, sem porvir
sem teogonia, futuro.
Sem parede nua, só grades
para se encostar e ouvir.
Sem cavalo branco, em pares,
que fujam a trotar, a zunir,
você apenas marcha a pé!
Marcha para o seu fim, Zé!


São Paulo, SP, 20 de fevereiro de 2014
Mkmouse

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