quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Maior Problema Do Mundo


Então o Rato, sentado no topo da sua casa, olhou em sua volta.

Havia uma criatura a sua direita desesperada por ter a morte levado um seu ente amado, à sua frente uma outra criatura a descabelar-se por ter perdido tudo o que havia conseguido e acumulado em toda a sua vida, à sua esquerda uma terceira sabendo-se à beira da Morte apavorava-se ante o inevitável e à sua retaguarda alguém a morrer lentamente de fome, na imensa turbulência da megalópode, na maior solidão e completamente abandonado.

E quantas coisas mais, viu este Rato, nos ângulos intermediários a esta Rosa dos Ventos.

Em um ponto qualquer alguém nasce, em outro alguém morre e enquanto isso acontece simultaneamente, alhures e não menos simultaneamente, um outro alguém trabalha preocupado com o seu futuro enquanto, noutro canto, ha alguém sem nada fazer e não se importando com o que possa ser o seu futuro.

Me pareceu por instantes que o maior problema do mundo estava com aquele que exultava de felicidade ao ver o seu nascituro a esta urbe chegar pois este fato certamente lhe traria preocupações e responsabilidades extras durante todo o resto de sua vida mas, compreendi que não era assim, pois é quase certo que muitas alegrias este evento poderia de dar, e não só aos seus progenitores.

Estaria então o maior problema do mundo com aquele que está a encarar a face da morte?

Não...

Acredito que não.

São tantas as coisas que podem estar acontecendo neste momento e já aconteceram, que pode a morte ser até um refrigério para a sua vida e visto que neste momento ele está prestes a ver o desconhecido, o inimaginável, reconheço aqui ser o seu problema maior apenas a incerteza, a incerteza que traz consigo este inevitável destino.

Então este problema, o maior problema do mundo, estaria com aquele que está só no meio de todos, aquele que tem a fome como alimento, o lugar nenhum como destino, a abóboda celeste como um teto, a Terra como um berço e apenas ninguém como parente?

Por certo esta este pior que Polifermo o qual tinha algo alem de Ninguém, não como parente, mas como algoz: no entanto, a solidão que o enclausura torna o seu problema apenas seu e a sua dor apenas sua, sua triste figura deixa somente constrangido o mundo que o rodeia o que nem sequer chega a ser um problema, pois basta apenas ignorar a criatura e o constrangimento some, isso quando não some a própria criatura, mais constrangida ainda que a sociedade que o rodeia.

Realmente não é este o maior problema do mundo.

Então o Rato pensou...

- Se o Maior problema do mundo não está no nascimento, não está na morte e em está no tempo que se passa entre um e outro evento, onde estaria ele?

Então, após refletir mais um pouco, conseguiu uma resposta!

- O maior problema do mundo é o seu.



MkMouse


Agora sem problemas (Hatuna Matata)
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