segunda-feira, 25 de julho de 2011

Deus, segundo Mkmouse



Existe uma frase que eu reputo ser de origem hispânica que afirma: “Eu não acredito em Bruxas, mas elas existem.”

E assim eu começo a escrever sobre o mais controverso dos temas que conheço: Deus.

A coisa é tão feroz que aqueles que não acreditam em sua existência só o podem fazer se implicitamente a conhecer, aceitar, e ai começa:

Se reconhece a existência de Deus, a negação está fundamentada em princípios e não na verdade que o negador reconhece e vê.

Se não reconhece a existência de Deus, a negação do que não existe para ele também está fundamentada em princípios e não na verdade que o negador reconhece e vê.

Criaturas que verdadeiramente não acreditam na existência de Deus, simplesmente não discutem este assunto pois não vêm sentido em discutir o que não existe; eu até hoje não encontrei nenhuma pessoa verdadeiramente pensando e agindo assim e duvido que alguém tenha um dia encontrado alguém que pensasse e agisse assim convincentemente, como um verdadeiro Ateu.

Isto posto e assim sendo, todo Ateu é por excelência um crente; os motivos de ser Ateu está em seus princípios e não na verdade; princípios, motivos, são sempre passíveis de discussão e qualquer motivo é sempre irrelevante quando em face a verdade.
Agora que uma minoria anonima foi separada dos crentes minoritários conhecidos, vamos para os crentes majoritários; vamos à crença da grande massa.

Sob os olhos humanos para ser Deus é preciso apresentar três qualidades básicas e isto é nas mais diversas formas e maneiras dito em todas as culturas até hoje conhecidas.

Primeira qualidade:

A Onipresença, só um deus pode estar presente em tempo real, ou não, e ao mesmo tempo por toda as partes do corpo que compõe o todo.
Segunda qualidade:

A Onisciência, só um deus pode ter a consciência em tempo real, ou não, plena e total de tudo o que acontece, ou existe, por todas as partes do corpo que compõe o todo.
Terceira qualidade:

A Onipotência, só um deus tem o poder de criar, fazer e desfazer, alterar ou não, em tempo real ou não, a realidade que existe, ou ainda não existe, por todas as partes do corpo que compõe o todo
Somente Deus, tem as três qualidades simultaneamente.

E este é o principal motivo da não existência de verdadeiros Ateus, ninguém em sã consciência pode afirmar que em todo o universo da criação, ou não, (o todo) tais qualidades não existam unidas intrinsecamente.

No entanto e também é a base para a sua negação, ninguém pode (aqui na Terra), dizer que tais condições existam intrinsecamente juntas no universo da criação, ou não (o todo).

A compreensão do que é Deus nos escapa pelo mais simples dos motivos, o conhecimento.

A ironia disto é que o homem tem feito dele (Deus) o “bode expiatório” para as suas mais diversas peripécias inclusive, torpezas e crimes.

Os crimes praticados em nome da fé em Deus, se relacionados, fariam uma lista tão longa quanto ou, o que é mais provável, mais longa que a lista dos feitos do homem neste planeta.

Como podem ver, falar ou escrever sobre Deus não faz muito sentido, pois para entendê-lo é necessário um conhecimento que a criação definitivamente não tem.

É...

Não faz sentido mesmo.

Mas nós, os ratos, não nos importamos com isso não, nós também não fazemos sentido nenhum e ainda sobrevivemos a milhares de anos e às mais diversas catástrofes.

Então vamos à face de Deus.

A face de Deus não pode ser representada de forma visível sob hipótese alguma, tão pouco descrita, visto que para tanto seria necessária uma forma o que certamente não tem como ser compreendida pelo escritor, quando se trata de Deus.

A face de Deus pode apenas ser idealizada e cada criatura, ao seu tempo e ao seu modo, a idealiza de forma diferente, própria, única, mesmo se ao descrever tais ideias elas tivessem as descrições coincidindo letra por letra, ainda assim as ideias seriam diferentes.

A única idealização da face de Deus que nos levaria à distância mais curta compreensível da verdade é a idealização de uma esfera perfeita, mesmo assim a distância desta ideia para a verdade é a mesma que existe entre o +∞ e o -∞.

Apesar de tudo esta idealização é a mais acertada (não a verdadeira) pelo mais simples e básico dos motivos; uma esfera idealizada perfeita tem infinitos lados, ou seja, infinitas faces.

Este ultimo paragrafo levaria este rato para a ratoeira se escrito a uns 300 anos atrás.

As implicações desta simples idealização hoje em dia ainda pode ser considerada uma heresia por algumas criaturas.

Esta idealização trás em seu bojo e de quebra, ou de bônus, o entendimento, a compreensão do que poderia ser Deus; visto que em sendo esta a sua face e ela é literalmente simples, Deus é simples, Deus é a mais perfeita simplicidade.

Você não pode entender isso?

Simples...

Você não está olhando para a face certa compreensível ao seu entendimento, está querendo mais do que pode, consegue ou deve ter.

Só isso.

Para finalizar uma série de lembretes.

Deus pode falar com você e com qualquer uma criatura, diretamente, em primeira pessoa, de forma tal que você ou a criatura entenda piamente o que lhe foi dito.

Se você ouviu Deus e ficou com alguma dúvida, precisa de mais informação para entender o que foi dito, tenha certeza:- você não ouviu Deus falando.

Se você ouviu Deus e ele mandou-o dizer algo a outrem ou ao mundo, tenha certeza:- você não ouviu Deus falando

Se você ouviu Deus e não consegue expressar nada do evento a ninguém, nem mesmo contar o que lhe foi dito mas entendeu tudo com uma clareza impar, tenha certeza:- Você ouviu a voz de Deus.

Lembrem-se todo aquele que diz conhecer os planos de Deus é um mentiroso e pelo mais insignificante dos motivos; para se entender os planos do Completo, do Total, do Único, do Absoluto, Da Perfeição Mais que Perfeita é preciso ser completo, total, único, absoluto e perfeito em todos os sentidos imagináveis.

Me aponte alguém que se encaixa no final do parágrafo anterior e eu, este Rato, lhe mostrará alguém tentando ser Um Deus.


Mkmouse

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Islã, segundo mkmouse



    Eu não falo nem escrevo em árabe, logo não posso entender com a precisão que gostaria o conteúdo do Alcorão.

    Eu acho que toda a tradução é uma tendenciosa pecadora, nelas falam mais os tradutores do que as obras originais poderiam falar por si só.

    No entanto das traduções (eletrônicas) que caíram em minhas mãos e da história que é parte integrante e inseparável do tema, eu acabei tendo uma razoável ideia do que é o Islã.



    Foi por volta do ano 570 d.C. em Meca, não se sabe ao certo, nasceu Muhammad ou para nós, Maomé; sabe-se que viveu com os pais até os seis anos de idade quando foi colocado sob a proteção de seu tio, Abu Talib, o novo chefe do clã hachemita por força do falecimento de seus progenitores.

Maomé, nos braços da mãe, Amina,
miniatura turca, University of Califórnia, San Diego

    Foi na condição de órfão de pai e mãe, em um mundo e sob o domínio da difícil natureza do deserto e na relativa proteção do clã de seu tio, que Maomé cresceu; foi ali que aprendeu a ser filho de muitos pais e muitas mães, sentiu o poder da discriminação, do preconceito, da desigualdade.

    Tornou-se hábil mercador (como era de se esperar) e eloquente narrador o que o tornou uma pessoa muito respeitada em sua sociedade.

    Como mercador que era acabou conhecendo uma viúva dona de muitas posses chamada Khadijah com quem veio a se unir matrimonialmente.

    Como era muito bom negociante acabou sendo também um excelente mediador e assim ficou conhecido pelos povos árabes como: AL Amin (O de Confiança).

    E assim foi sua vida até receber a visita de do anjo Gabriel em forma humana em uma caverna do Monte Hira com as revelações que culminaram no Alcorão


Jami_al-Tawarikh_Gabriel Rashid al-Din,
published in Tabriz, Persia, 1307 A.D.


    A doutrina central do islã é a unidade, a unidade indivisível de Deus.

    Esta unidade divina é muito mais do que dizer que há um só Deus e e não existe nenhuma outra divindade, é também considerar que o ato de só estar pensando em bens, estar pensando em condições sociais, estar pensando em poder; é estar aceitando uma outra divindade, é estar idolatrando, posto que tudo isso são ídolos do intelecto.

    Acreditar em um só Deus para um muçulmano da época não era ser um só povo, significava já não haver lugar para divisões sejam elas quais forem; a perspectiva era revolucionária no século VII.

    Com o islão vinha uma nova ordem, um novo modo de vida e era um modo bonito de vida, porque todos eram iguais: pretos, brancos, homens, mulheres, crianças...

    O curioso nisto é que esta mesma mensagem já havia sido compilada de textos muito mais antigos ainda e repassada como um único códex pela Vulgata Romana no século V; era menos evidente no velho testamento mas bem mais clara no novo testamento; estes mesmos princípios morais ainda são descritos em “livros” desta feita no longínquo oriente muito tempo antes dos mesmos aspectos morais serem temas entre os povos do ocidente e do oriente médio.

    Os seguidores de Maomé intitulavam-se "muçulmanos", que significa "aqueles que se entregam a Deus".

    É muito difícil falar sobre Deus sem materializar Deus, o Alcorão evita isso trocando constantemente os pronomes. (os 999 nomes de Deus)


Allah - Caligrafia

    E os muçulmanos sentiram desde desde o principio que a única representação justa de Deus é a palavra de Deus, logo, o próprio Alcorão.

    No Islamismo não existe uma imagem de Deus, isto porque não se pode representar Deus, e com certeza não seria ela, a imagem de Deus, associada a uma imagem de Maomé, porque ele não era, nem é divino, além do que que isso feriria o princípio básico: a unidade indivisível de Deus.


O Profeta orando na Caaba,
gravura otomana do século XVI.

    As imagens que existem de Maomé é sempre enquanto figura histórica ou humana.

    Prestam-lhe homenagem ao colocá-lo sobre um fundo azul muito luminoso ou com uma nuvem branca perto dele, ele também é apresentado com um pano branco a cobrir sua face, mas para além disso não se  distingue o mesmo das outras personagens na (e da) história.

    Maomé é considerado pelos povos árabes como um profeta de Deus, o que trás a tona a questão dos milagres visto que na concepção ocidental, profetas fazem milagres.

    Para a pergunta "Onde estão os teus milagres?"  a resposta corânica é... "Este é o milagre ” (o Alcorão).



    Maomé também falou da condenação eterna para o injusto.

    Ele falou de um cenário apocalíptico, falou sobre os sinais do fim dos Tempos, quando as montanhas se desmoronam, quando os céus se enrolam como rolos de papel, falou do momento em que saberemos qual a consequência e a nossa responsabilidade, sobre as as ações que praticamos.

    No ano 619 d.C., a esposa de Maomé, Khadijah, morreu assim como o seu tio.

    Alguns anos depois Maomé concordou em viajar até Yathrib, atual Medina, e resolver as disputas entre os Clãs que viviam nesta cidade oásis em troca de um refúgio seguro para o seu povo, os muçulmanos.

    Ao fazê-lo, deu início a uma nova comunidade, um novo Clã e pela primeira vez, estavam os seus integrantes ligados entre si, não por laços de sangue, mas pela fé.

    Esta viagem ficou conhecida como Hégira e o ano 622 do calendário cristão marca o ano 1 do mundo muçulmano.



    Foi ali, em Yathrib que um ex-escravo abissínio chamado Bilal, chamou pela primeira vez os crentes para rezar, desta vez, na casa de Maomé: a primeira mesquita.


ADHAN
O CHAMADO PARA A ORAÇÃO


    O Muezim pronunciou:
Allahu Akbar
Deus é  Maior! (4x)

Ach hadu an la ilaha ill- Allah
Testemunho de que não há outra divindade além de Deus. (2x

Ach hadu anna Muhammadan rassulullah
Testemunho de que Maomé é o Mensageiro de Deus. (2x)

Haiyá alas-salat
Vinde para a Oração. (2x)

Haiyá alal-falah
Vinde para a salvação. (2x)

Allahu Akbar
Deus é  Maior! (2x)

Lá ilaha ill Allah
Não há outra divindade além de Deus!

    Foi nesta cidade que os muçulmanos reuniram uma força de apenas 313 guerreiros e com poucas armas, constituída principalmente por velhos e alguns jovens, isto enquanto os habitantes de Meca se aproximavam para o combate fortemente armados e com mais de mil homens.

    Eles combateram três batalhas muito sangrentas.

    Eu considero nesta batalha inicial como sendo um verdadeiro milagre as forças de Maomé ainda existirem no final do combate.

    Durante três anos, o exército muçulmano resistiu contra a supremacia do adversário e com isso, um por um, os povos do deserto começaram a juntar-se à sua causa até que finalmente, Meca sucumbiu a Maomé.

    No ano 630 d.C. o exército de Maomé estava de novo em casa e agora com uma força de 10.000 homens.

    Maomé surpreende a todos quando abraça os vencidos em Meca.


Tomada de Meca – 630

    As suas tropas marcharam diretamente para a Caaba, circularam o santuário por sete vezes, antes de ele erguer o seu bastão e com isso determinar e consumar a destruição dos ídolos na área do santuário.

    Os seus seguidores estabeleceram um império maior que o de Roma, mas Maomé não viveu para o ver nada disto.

    No 11º ano do calendário islâmico, em 632 d.C., apenas dois anos após a tomada de Meca, Maomé morreu.


Miniatura persa que retrata a ascensão de Maomé ao céu

    E na minha maneira de ver foi nesta data que o Islã alterou e de forma não muito sutil a sua filosofia, foi ai que iniciou-se uma divisão, ao invés de serem apenas muçulmanos como deveriam ser e ainda na minha maneira de ver como diz o Alcorão, seriam dai para frente muçulmanos Xiitas ou Sunitas

    De acordo com os Xiitas, que significa "o partido de Ali", Maomé tinha na verdade designado Ali, o seu genro e primo, como o seu sucessor.

    De acordo com os Sunitas, Maomé não tinha designado um sucessor durante a sua vida, mas sim tinha afirmado:

    " - Depois de eu partir, escolham alguém de entre os vossos semelhantes, de entre os anciões."

    E assim da opinião majoritária, a Sunita, saiu um homem que seria o sucessor de Maomé: Abu Bakr.

    E ele dirigiu-se às pessoas em seu primeiro pronunciamento dizendo:

    " - Se vocês veneram Maomé, saibam todos que ele está morto."

    " - Se vocês veneram Deus, saibam todos que ele vive, e vive para sempre."

    Era ai que residia o segredo da força e a profunda influência do islã, o poder unificador de um só e indivisível Deus.




mkmouse

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Me leva pra casa...!?




Muitas pessoas já ouviram este pedido, mas muitos poucos tem a coragem de ouvi-lo olhando nos olhos de quem pede, mesmo porque quase nunca se deixam ficar em situações como esta.

É...

É o ser humano e suas necessidades, suas lógicas, suas conveniências, seus...

Sei lá o que.
...
A criatura humana, nasce, cresce, vive, às vezes se humaniza e morre, assim é o real ciclo da sua vida; se retirarmos o humano e seus derivados este ciclo fica válido para tudo o que há na natureza.

A criatura em causa, a humana, tem como gene recessivo a humanização motivo pelo qual é tão difícil ao homem assumir as suas responsabilidades, em especial as de origem moral.

Quantas pessoas você conhece que vão a um asilo ou a um orfanato, ou foram a algum destes locais pelo menos uma vez na vida?

É...!

E com regularidade?

É dureza.

Estes locais guardam em seu bojo criaturas rejeitadas pela família, pela sociedade, e até mesmo pela vida.

Independente do motivo lógico que culminou neste fato, ele sempre é validado pelo custo financeiro, moral, social, de saúde ou físico, é sempre em função do custo, do ônus ou de uma responsabilidade sabidamente válida que também é indesejável em função, mais uma vez, do ônus que poderá vir a existir.

A felicidade não tem nestes locais morada fixa, nem mesmo é o normal desta uma visita casual; ali tem residência fixa a solidão cuja liderança é feita pela mais cruel das solidões, a coletiva.

Nos asilos, a solidão é assessorada em seu labor destruidor do espírito humano pelo desespero que é a espera pelo desconhecido; se num orfanato, a solidão tem como assessores na destruição do futuro humano, senão do próprio humano, o desamor, a frieza, a discriminação e os tratos indevidos quando não, maus tratos.
...
No orfanato a criança procura a mãe ou o pai em meio a uma multidão de desconhecidos; nesta busca infindável pela segurança da mãe ou do pai, a criança olha para cima e a cada rosto que vê seu rosto esboça um sorriso e pensa “achei!”, então descobre e sempre de forma amarga que nada achou, mas ela continua e continua, o sorriso que outrora iluminava-lhe o rosto agora apenas mostra uma tímida esperança no mais intimo do seu espírito, mais uma vez e outra mais descobre que nada achou, o tempo vai passando imperturbável até que a criança exausta passa a esperar o desconhecido depois, por um milagre e por fim nem isso, apenas espera, espera crescer, espera viver mais um dia, espera poder sonhar enquanto olha para cima e se vendo um novo rosto pergunta-lhe com os olhos e a voz:
...
No asilo o idoso tenta entender como chegou ali, em meio a uma multidão de desconhecidos, em uma casa que não a sua; olha em volta e não vê um único conhecido, nenhum parente, só estranhos a passar sem o ver e os que o veem lhe dão ordens que não consegue entender; sua vozes não são familiares mas a dureza delas o é; perde-se o ancião em seus pensamentos, procura onde errou e nada acha, procura por alguém para explicar o que se passa consigo mas todos são mudos; em desespero chora, chora e é reprendido; então é o espírito que chora e ninguém vem a consolá-lo; espera pelos seus mas estes não vem, então passa silenciosamente a esperar, passa a esperar pelo desconhecido, depois por um milagre, por fim nem isso apenas espera e espera, espera viver mais um dia, espera poder sonhar enquanto olha para cima e se vendo um rosto novo pergunta-lhe com os olhos e a voz:

“ - Você vai me levar para casa?...”


mkmouse




sexta-feira, 27 de maio de 2011

O Conceito do Divino, segundo Mkmouse




O que significa viver?

Está ai uma questão tão antiga quanto a vida.

Aliás viver é apenas a consequência fundamental e principal da vida por si só, a questão real é:

- O que é a vida?

Pergunta transcendental esta...

***
A vida é um conceito primitivo, sua definição está contida e completamente na sua origem logo, somente pode ser compreendida quando vista no seu todo, em sua totalidade e não em suas partes ou nos elementos que em um determinado momento estão a compor as partes individualizadas e determinadas dentro do todo; a vida não pode ser compreendida quando vista na sua existência como uma individualidade em um subconjunto qualquer onde quer que seja ou esteja ocorrendo o evento e estando este, em evidência ou não.
No entanto este conceito é válido só inversamente, quando aplicado para a realidade material, espacial, dimensional e temporal de todas as partes que compõem o todo e para os componentes destas partes, cada um de-per-si; por isso fica consequente e inevitável que para a verdade ou a realidade específica de um determinado momento para uma identidade ou ainda, para a verdade e a realidade específica de um determinado momento apenas, onde quer que este momento ou identidade exista ou venha a ocorrer, é necessário, é imprescindível, que o mesmo esteja em evidência pois caso contrário, a sua realidade ou mesmo a sua existência mensurável física ou logicamente falando, é questionável e improvável como uma realidade ou uma ocorrência matematicamente verdadeira ou real.

O que nos leva finalmente ao ponto, à pergunta impronunciável:

- “ ? ”

***
Toda e qualquer tentativa de resposta a esta pergunta nos remete, seja qual for a forma de pensamento usado ou expressão semântica utilizada na descrição, escrita ou verbal, ao conceito da divindade, ao conceito do divino, ao conceito do uno e é neste momento, exatamente neste momento, que tudo se divide, que entramos nos sombrios e obscuros domínios de Babel.

A partir daí toda e qualquer resposta ou arguição é irrelevante, é apenas e tão somente uma prosopopeia vazia e fútil, que seria infinitamente bem mais útil e frutífera se versasse sobre o sexo angelical.

Isto se dá não só em função da incapacidade inerente da vida na forma de identidade específica dentro de um subconjunto qualquer em se reconhecer no pequeno todo de que faz parte bem como reconhecer o todo que o engloba; todo este que também e por sua vez, é um subconjunto dentro de outro e assim consecutivamente; mas e também na incapacidade de cada um destes subconjuntos por sua vez, em reconhecer-se a si mesmo dentro do conjunto maior em que está a existir e assim vai, consecutivamente.

No entanto a resposta para a pergunta impronunciável vai sendo respondida e entendida na direta razão do crescimento da somatória das identidades das unidades componentes do todo, na mesma medida em que os múltiplos se tornam uno

Traduzindo:

O verdadeiro conhecimento só irá aparecendo na mesma medida em que a individualidade se torna maior e maior, até chegar a ser o todo, neste momento e só neste momento a individualidade terá realmente duas opções:

a) Manter-se identidade, individualidade.

b) Unir-se no todo, tornar-se Uno.

“Estou partindo do princípio que a identidade finalmente chegou ao Uno, pois toda a vez que esta chega ao todo que é o seu conjunto (incorpora a identidade do todo) pode não ter capacidade de ver os outros conjuntos e por isso chegar a conclusão que chegou ao Uno.”

Chegamos então ao Gênesis.

Se a opção for b), deixa-se a vida para sempre; retorna para a casa paterna como o filho pródigo; torna-se Deus!

Se a poção for a), Morre-se para poder ser vida e uma vez sendo vida, divide-se, fraciona-se infinitamente...

E tudo isso, em ambos os casos para poder...

Quem sabe o que né...?

... Hummm talvez...

Que tal, viver...?

… Sei lá eu!!!

É...

Realmente...

Eu não tenho e não faço a menor ideia da razão disto tudo.

Pensando bem isto não tem a menor importância no momento, pois um rato no meio do mundo já nasce sabendo, é instintivo: tudo tem o seu tempo e eu chego lá; mas para que isso seja verdadeiro eu tenho que fazer por sobreviver, viver e aprender, é isso o que eu faço todos os santos dias seguindo os caminhos que me são próprios.

***
“A incorporação da identidade de uma parte, de forma completa e total ao todo, ao uno, é a única e verdadeira utopia que existe é a única utopia válida e passível de ser viável; mas a incorporação de uma identidade completa e totalmente ao seu conjunto alem de não ser uma utopia é de simples e fácil concretização, é o caminho viável e mais curto para quem quer fazer a ridícula e vã tentativa de se tornar um Deus; desta feita uma bizarra, infeliz e hilariante miniatura do nada.”
Mkmouse





sábado, 14 de maio de 2011

Apologia à Ignorância


Eu ia deixar para falar sobre isso na minha revista www.mkmouse.com.br, mas não dá para esperar até o fim deste mês, realmente não dá, não dá mesmo!

***

Agora a apologia à ignorância é oficialmente patrocinada pelo governo federal.

O novo livro da Editora Global (Global?... porque será?!) foi aprovado pelo MEC por meio do Programa Nacional do Livro Didático e para aqueles leitores meus que gostam de estrume, de moda, do que “rola” no momento e do que é “politicamente correto”, nome do livro é “Por Uma Vida Melhor” da coleção “Viver, Aprender”.
Prova A

Eu sugiro que os senhores e senhoras que leem este texto saiam correndo de suas casas, deixem até mesmo de continuar a ler este texto e comprem o infame livro pois a Editora Global investiu uma “nota preta” na confecção deste BBB e na aprovação pelo MEC e agora está precisando recuperar os custos e ver o “cor” do lucro.

Para que não haja a menor dúvida que esta porcaria veio mesmo para ficar já chegou com um novo termo que é “O Preconceito Linguístico” a ele associado; não comprá-lo ou achar que o mesmo está errado agora é crime (ainda não eu acho... mas sei lá se já não existe uma lei sobre isso).

A pobreza dos editores e escritores brasileiros está chegando no seu ápice, para se fazer um livro que alem de incentivar, ensine a falar e escrever errado precisa de mais de autor, ou melhor autoras neste caso.

Só uma apareceu para dizer o seguinte: ...a intenção era deixar aluno à vontade por conhecer apenas a linguagem popular, e não ensinar errado.

É e ainda é professora, Professora Heloísa Ramos.


Mas em uma coisa ela tem razão: se em uma sala de aula deixar o aluno à vontade por saber apenas a linguagem popular, realmente não é ensinar errado, é não ter ninguém para ensinar este aluno, nesta sala de aula, que saiba mais do que ele sabe.


Como se já não bastasse a reforma ortográfica, falar e escrever errado virou correto e qualquer pessoa que tentar corrigir isso comete o um crime: o crime de preconceito linguístico.

O Brasil não mais é um país do futuro é um país do passado a correr vertiginosamente em direção à idade da pedra lascada onde todos nós nos expressaremos com diversos, sonoros e melodiosos “Ug...Ugs... Buga... Bugas...” e para comunicação a maior distância usaremos os moderníssimos pedaços de pau que presos (seguros) por nossas mãos que após um processo de alavanca feito por nosso braço venham a se chocar com algum tronco caído e oco que encontrarmos eventualmente caídos pelo chão.

O Brasil não é mais um gigante adormecido, é um anão de joelhos que ao invés de se levantar, andar para sair desta imundície, crescer, tenta desesperadamente encontrar uma forma mais eficiente de rastejar como um verme, na gosmenta e asquerosa lama politica que o rodeia.

(1)Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague.
Brasil

***

Graças à nova ortografia brasileira a sentença que escrevo abaixo não poderá ser entendida corretamente, simplesmente porque foi escrita e não falada.

- Embaixo deste coqueiro há diversos cocos.
Prova B

(1)Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague.
Brasil

***

Querem uma visão do futuro?

Vou lhes dar uma, e a que provavelmente irá acontecer em algum momento no futuro se é que ainda não aconteceu, graças à revolucionaria ideia de um “grupo de camaradas unidas” com o apoio da Editora Global e o aval do MEC.

Cenário:
    Um tribunal.

Atores:
    Um “fantástico” grupo de figurantes muito atentos ao desenrolar da trama
    Um Juiz
    Um Juri
    Dois advogados
    Um réu

Motivo da trama:
    Um assassinato múltiplo, com premeditação e requintes de crueldade.

Cena única:
    O Juiz pergunta ao réu:

    - Consta dos autos que o senhor foi no local onde morava as vítimas e lá perpetrou chacina dos mesmos, está certo o que li?

    - Óia seu doto, juz, era nóis que tava na fita e os manos mando e nóis fumo lá, agora nóis num sabi não quem penetrô na chacrinha.

    O juiz se volta para o juri e diz:

    - Como puderam ouvir o réu confessa o crime...

    Aí entra o advogado de defesa:

    - Protesto!... Meritíssimo!

    - “Vossa Meritíssima persona” está a condenar sumariamente um inocente e cometendo o crime de discriminação linguística contra o meu cliente além de incitar ao cometimento do mesmo crime os senhores jurados.

    - O meu cliente disse apenas que era a vez dele fumar e não a dos irmãos e que não sabe nada sobre a chacina.
Prova C (circunstancial e imaginária)

(1)Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague.
Brasil

***

Legal né?!

A partir destra nova concepção de linguística e vernáculo patrocinada pelo governo federal brasileiro quase ao meio do ano de 2011, qualquer advogadozinho de porta de cadeia e até mesmo sem OAB (pedir o registro na OAB de um advogado pode ser tomado como um ato de discriminação profissional) poderá livrar seus “inocentes” clientes do cumprimento da lei simplesmente usando a lei contra ela mesma.

***

Para encerrar incluí nesta publicação uma apresentação de Chico Buarque da sua música Construção e em seguida a letra completa da mesma feita esta, em um tempo onde escrever bem e certo era uma arte muito bem vista e amada e não um crime.

Esta apresentação foi retirada só site http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45124/

Construção

Chico Buarque

Composição : Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague


mkmouse

(1)Versos das três estrofes finais da música Construção de Chico Buarque

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Reminiscencias: Café da Manhã



Era uma manhã de um dia qualquer, de um mês qualquer, bem no meio do século passado.

Uma velha e corroída porta de tábuas encaixadas, cansada, encostada estava na parede da sala a mostrar-me o brilhante dia que recém-nascido estava lá fora; entre eu e este dia, uma cancela de ripas pontudas, molenga, que a muito não era nada além de um símbolo, a frágil marca de um limite, a divisão entre dois mundos nem um pouco diferentes entre si, úmida ainda pela chuva da noite que se foi, com seu inútil e enferrujado trinco jazia inclinada a apoiar-se na madeira do umbral de uma porta ainda mais antiga.

Por aquele retângulo mágico, via eu o brilho do radiante dia que vinha a galope nas rasas poças d'água sobre a areia clara, encharcada, do corredor que ligava minha casa e varias outras, à rua propriamente dita; passei pela cancela a qual expressou seu cansaço e sua idade no doloroso ranger de suas dobradiças, aliás o único som por mim audível nesta manhã além do trinar dos pássaros e o bater de caçarolas na cozinha, naquele momento aparentemente tão distantes como o fim do mundo.

Meus pés descalços tocaram a mãe Terra pela primeira vez neste augusto dia.

Senti a sua tenra maciez, sua firmeza suave ao me sustentar, a delicadeza com que se infiltrava por entre os dedos dos meus pés; aspirei um ar de imenso frescor, orvalhado eu diria, que foi-me refrescando os pulmões, limpando o meu sangue e clareando minha mente.

Pulei sobre as poças d'água; todas elas eu acho.

Depois caminhei sobre aquele tapete de singular frescor, cuja cor era de um tom areia bem claro mas ligeiramente avermelhado, caminho este ladeado por altos muros escurecidos pelo tempo e pelo musgo verde escuro até a calçada de ladrilhos ásperos que acompanhava incondicionalmente as guias e a rua de paralelepípedos; olhei para trás e vi minhas pegadas enchendo-se d'água, eram únicas, fora eu o primeiro a por ali passar neste dia.

A calçada, a rua, as casas, a cidade, tudo estava úmido e brilhava ao sol que subia ágil pela elíptica, prometendo em seu zênite uma luz tão clara como a só vista no paraíso e um calor, um calor de fazer inveja ao inferno.

Naquele momento pensei que somente eu e a natureza estávamos despertos e toda a cidade ainda dormia.

Uma voz, eis que, me chamava pelo nome.




Não, não era só eu e a natureza que estávamos acordados e a vós que era distante se fez próxima a por mim clamar, virei-me e de volta à realidade, corri para o ninho em cuja a entrada minha mãe estava a me aguardar com uma colher de pau na mão, recém-saída do coador de café e ainda envolta nos vapores do mesmo.





Minha casa tinha paredes caiadas de branco, meu pai estava a abrir a veneziana de madeira pintada de verde do quarto da minha mãe e olhava para mim sorrindo, embaixo da veneziana em uma calçadinha de cimento repousavam algumas latas de vinte litros nas quais viviam felizes (eu acho) samambaias que aproveitavam a água da chuva que caia após rolar pelo telhado

    • Menino! (hoje eu sei, que estava se fazendo de brava)
    • Não entre em casa sem limpar-se desta lama toda e venha logo tomar café.




Por um instante eu pensei que ia me bater com a colher, mas mudou de ideia, eu acho que não queria ter que lavar a lama que ficaria na colher de pau, no entanto me restava uma questão a ser resolvida e resolvida por mim, já que ela se fora para o interior da casa de novo: como eu iria entrar para tomar o café da manhã se tinha que me limpar antes de entrar e não via como fazer isso?





Ah...

As mães...

Só elas conseguem ser tão antagônicas e lógicas ao mesmo tempo!

Meu pai presenteou-me com a solução um pouco antes de sair da janela; ainda sorrindo apontou-me uma poça d'água limpa entre as samambaias e a parede da casa, lavei os pés, foi tudo o que deu para fazer além de manchar as brancas paredes, e entrei sala a dentro para o meu café matinal.

Mais uma vez a cancela rangeu, pisando no vermelhão do piso passei pela mesa redonda e suas cadeiras de madeira maciça, cujo suporte central e único era grande o suficiente para a gente brincar de esconder em casa, era só se amontoar sobre as revistas que la eram guardadas; passei pela cristaleira de madeira negra e as poucas louças que guardava quando então ouvi minha mãe novamente a minha pessoa se dirigir:

- Se você por as mão nesta cortina eu te mato, vá lavar-se no tanque e anda logo eu não quero que você e seus irmãos morram de fome.

Minha mãe abriu a cortina de barbante branco trançado muito limpinha e eu passei indo direto para o tanque onde tive que tomar um banho para ficar de acordo com os padrões de limpeza da minha mãe.

Só uma mãe pode nos ensinar o valor da vida e da limpeza com tamanha precisão!



De volta a cozinha, passei mais uma vez pelo agradável calor do fogão à lenha e sentei-me à mesa para o café da manhã.



Era uma mesa retangular de tábuas justapostas muito brancas de tanto ser lavadas, acompanhada de cadeiras de madeira simples mas bambas pelo tempo e pelo uso.



À mesa, sentados em suas cadeiras, já estavam meu pai e meus dois irmãos esperando apenas por mim para o desjejum matinal e, é claro, não muito felizes com o meu atraso.

Minha mãe me examinou cuidadosamente e vendo que estava dentro dos seus padrões de asseio, começou a servir o café da manhã.

Seu longo cabelo castanho escuro, ainda solto naquela manhã, por diversas vezes tocou-me os braços e o rosto, enquanto atendia os meus irmãos e o meu pai com as coisas normais para um café matinal dos anos cinquenta; sua voz, calma e sonora, comentava animadamente o que faríamos naquele dia; iriamos ao sítio, à casa da “Tia Ana”, onde ela iria ajudá-la na feitura do almoço:

- Era macarronada!!!

Foi ai que eu percebi...

Era domingo!

Uma linda, fresca e calma, manhã de domingo.


In memoriam de
Lauracema Borges
"Tia Ana"
"Tia Braulina"
"Vovó Salvina"
Todas simplesmente mães

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