sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ainda sou Linux






Olha, eu uso o Linux Kubuntu com exclusividade já a um ano e cinco meses.





Fiz esta mudança em função do seguinte pensamento:


"Se é para ter dor de cabeça com as falhas de um programa, (o que é inevitável) que pelo menos eu não tenha que pagar para isso"



Ou seja, se vou ter bugs na porcaria do SO que não tenha eu que pagar para tê-los.



Não me arrependo nem um pouco de ter mudado para o Linux (Kubuntu) e olha que os meus problemas chegam a serem bem grandes às vezes.


Os pontos mais fracos neste sistema está na falta de conhecimento, por parte dos iniciantes em Linux dos comandos para linha de comandos em especial, quem como eu passou pelo DOS tem certa familiaridade mas quem nunca viu uma tela preta cheia de letrinhas e sinais estranhos isso é definitivamente o fim da picada.


Não que isso seja ruim pois as informações podem ser conseguida na internet, a m*@!? é que nos sites de ajuda estão todos mais interessados em propaganda (não explícita) de produtos ou policiando o sistema para saber se as convenções de seus blogs ou fóruns estão sendo cumpridas (à risca) que é quase impossível resolver-se uma dúvida simples como por exemplo (qual o antivírus que melhor funciona, no Linux?), ou, (onde estão os manuais "em português" para os comandos Linux?) mas, se eu (ou você) quiser saber como um celular da marca XXX modelo YYY faz para acessar a ISS lá na estratosfera via Kubuntu pode ter certeza que um monte de “sábios” vão aparecer e responder.


Outra questão está no fato de que as empresas que fabricam os periféricos para computadores estão ca@!&@#do e andando pro Linux e não facilitam em nada os drives de seus produtos para este mundo e para fazer o uso destes periféricos, é preciso uma instalação via de regra tão complexa que até o Hall 9000 teria um segundo colapso neuro binário só de ver o script que precisa ser executado em alguns casos.



Enfim apesar de tudo isso fico com o Linux, pois por mais que eu pense (e tente), não consigo entender a ideia de pagar para ter problemas e depois pagar para obter a correção dos mesmos e a aquisição de novos (e assim ad infinitum), e não me venham com aquela da assistência ao produto pago pois na maioria das vezes os "técnicos" nada sabem do produto ao qual devem dar assistência, uma questão de "Moderna Visão Empresarial” custo+benefício+preguiça+incompetência empresarial+falta de visão administrativa a curto, médio e longo prazo, a única premissa viável para estas bestas é o maior lucro possível no menor tempo concebível e que se dane todos os que não estão na partilha, a grande massa de manobra das multi da informática.


Foram os gênios do pensamento financeiro (os mesmos que levaram os EUA À crise financeira do ano passado) que criaram os princípios que são seguidos pelos Altos Executivos destas Empresas Expertas, o sistema Gersoniano de administração.


O Linux (ou a sua ideia) vai vencer no final, só quem não vê isso fica abraçando causas que tem como finalidade apenas a satisfação dos interesses de uns poucos em detrimento de muitos e apenas por uma satisfação momentânea, literalmente virtual; a própria Microsoft já está ciente disso e adapta-se à ideia, veja só a gratuidade (temporária) do seu novo SO. (depois que você a corrigir, paga para tê-la)


Resumindo, ainda sou Linux e ponto final.


domingo, 4 de abril de 2010

O Vento

Hoje, domingo de páscoa, eu tencionava usar um tema assim como, por exemplo: “O Tempo e o Vento” mas um tal de Érico Veríssimo me antecedeu e o fez com muita maestria no entanto, para não dizer que não “falei de flores”, o farei sobre o vento.


Hã...?


E o tempo?


Este, Gone With the Wind!(1)



***


Pois é, eu tenho vários temas quase que completamente desenvolvidos para ser postado e como não me decidia por nenhum acabei iniciando este na manhã de hoje e deixando que o tempo decida qual será o próximo, mas agora falo das “letras” que, em sendo mortas, à muito o vento carregou para as terras da ignorância onde hoje jazem imortais na mais plena das obscuridades, ofuscadas que foram pela pena de novos e “famosíssimos” escritores de best sellers brasileiros isso quando estes não sobrepujados pela imensa competência, escrita, falada e cantada por todos os meios e sempre em tom mais alto dos “camaradas” internacionais, ou ainda, “camaradas” nacionais com nomes alienígenas ao nosso pátrio vernáculo, verdadeiros “Pedros” antes do cantar do calo.


O que é Best Sellers?


Olha, se não for um estrangeirismo deve ser como os futuros letrados, escritores, escrevem Besta de Cela em inglês clássico no Orkut, no MSN ou no Twiter, como eu não sei falar ou escrever em inglês, nem mesmo os termos técnicos da informática que vivo usando, sugiro ao distinto(a) com avidez de conhecimentos que consulte um dicionario de inglês-português para extinguir essa sofreguidão de saber multinacional.


Um vento distante trás-me ao ouvido a ideia que difícil é ler o que escrevo, meus textos são longos demais e o que se diz não é compreensível.


Meditei sobre o tema ao som de The Sleeping Beauty, Op.66, depois com as Bachianas Brasileiras, na sequencia, Súplica Cearense, Brasileirinho, Rosa e por fim ao término de “A Construção” havia conseguido construir, concluir, algo sobre o assunto.





Eu não sei escrever nada.







É por isso que os meus textos são difíceis de serem lidos, não sei expressar a mais simples das ideias em menos de 125 caracteres e como não posso e não sei ser tão bom assim o que eu escrevo não é entendido e fica mais difícil ainda de ser entendido porque eu uso palavras quando escrevo, eu não aprendi em meu tempo de escola a expressar-me com sinais guturais tão em voga nos dias de hoje.


No meu tempo de escola para se fazer uma música, precisava ser um músico, a menos que se tenha nascido um gênio e eu sei que gênio não é capim como são os de hoje.


No meu tempo de escola a letra de uma música discursava sobre um tema e era perfeita nas normas da prosa e da poesia, não é como hoje onde uma boa letra de musica precisa apenas de letras tão somente, mesmo que ligadas, tais letras não façam o menor sentido para o meu parco e insignificante conhecimento musical


No meu tempo de escola as artes plásticas eram feitas por seres humanos com um talento impar em sua arte, naquela época o homem tentava imitar Deus em suas criações o homem nivelava-se pelo maior valor possível, hoje o homem tenta imitar os animais em suas criações e ao meu ver, o olhar de um miserável rato o homem nivela-se pelo nível mais baixo possível.


No meu tempo de escola escrever era algo que exigia um conhecimento sobre diversos temas e só escrevendo constantemente e principalmente lendo obstinadamente, obsessivamente, seria possível um dia escrever um texto com alguma qualidade, hoje basta que a mídia diga que é bom e a editora fica rica.










...


Mas voltando ao tema, o mesmo vento que as folhas mortas carrega vira a página de um livro machadiano ante minha face, corro os olhos no texto e o que vejo e leio me leva à humilhação, os textos de Machado de Assis são de longe infinitamente melhores que os meus e eu consigo entender o que ele escreveu mesmo depois de tanto tempo, tomo nas mãos algo de Luiz de Camões (mais humilhações) mas eu consigo ler e entender (na maioria das vezes) Camões ainda apesar do tempo que nos separa, até William Shakespeare eu consigo entender (depois de traduzido) e olha, o homem é Inglês da gema, mas não consigo entender e às vezes ler o que escreve os novos escritores, me parece que na maioria deles nada mais fazem que juntar palavras aleatoriamente até que a sentença tenha algum sentido e os novos gênios da literatura conseguem juntar sentenças que tenham algum sentido ou ligação entre si, nas artes plásticas eu não consigo diferenciar a arte que é feita por um ser humano da arte feita por um símio e no que diz respeito á música eu mão a consigo a diferenciar de um ruido qualquer que algumas vezes está acompanha grunhidos estapafúrdios, estranhos, que via de regra vem do instinto animal da sobrevivência pelo prazer da procriação.

...

Um dia eu aprendo a escrever, talvez neste dia isso já não seja mais necessário, visto que pelo andar da carruagem antes de terminar este século o melhor da música será o som de duas ou mais pedras batendo entre si com o acompanhamento do máximo da voz humana que seguramente não precisará mais de suas cordas vocais, o melhor das artes plasticas será o que alguns gênios conseguira fazer com as mãos entre uma chama e a parede de uma caverna, por fim quanto à literatura ela talvez um dia seja redescoberta de alguma maneira, em algum momento algum dos meus e(ou) seus descendentes vai descobrir que a parede de uma caverna não aceita só a sombra de uma mão.

Como este dia ainda não chegou, eu lamento pelo vento, mas continuo tentando escrever direito, mesmo que seja eu o único neste planeta a agir assim, gastei mais de meio século de minha vida para chegar até aqui e não pretendo mudar, agora que estou na plena adolescência.


...


A cultura e o conhecimento estão mortos...


Viva o Rei!









...


(1) Gone With the Wind, é o título original do filme de 1939 “E O Vento Levou” com o qual eu faço um trocadilho com o tema do paragrafo e o conteúdo do texto postado.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ratrix – A Máquina Final


Um dia o meu amigo levou-me a sua morada, ao seu tempo, sentia-me como que guiado por um Virgílio.

E la como tudo fora ontem, é hoje e será amanhã, vi o que os olhos não sabem ver, senti o que os sentidos não conseguem sentir, ouviu o que os ouvidos não podem ouvir, mas sabia não estar a viagem em seu início mas ao fim.
Levou-me até sua morada, a qual tinha duas frentes e uma delas olhava para o oceano por sobre uma larga alameda e a outra contemplava a morada à sua esquerda através de jardins e por sobre um rio caudaloso. O fundo de sua morada, estremo oposto ao oceano, estendia-se paralelo ao rio e unia-se a este no horizonte, o fundo oposto a frente esquerda da moradia vi e não sei como descrever.

Tomou-me a mão, meu guia, e levou-me ao alto de sua morada e de lá vi muitas outras moradas a direita daquela que visitava e todas de cima para baixo.

Não havia lugar nas moradas que eu não pudesse ver e quanto mais longe eu olhava mais entendia o que via, todas tinha duas frentes como a de meu amigo, uma das frentes sempre olhava para o mesmo oceano da morada em que eu estava e à esquerda de cada uma havia um rio caudaloso, antecedido por um jardim, alguns rios eram muito rápidos outros tão lentos que pareciam não se moverem e nenhum deles era igual ao outro, todas as moradas acompanhavam o rio que ficava em seu jardim até o horizonte e a última morada, nesta alameda, tinha o número Ꝏ-1.

Voltei o s meus olhos para a morada a esquerda da qual me encontrava e a olhei mas não pude vê-la nem mesmo ver além dela pois era mais alta do que a morada em que eu estava.

Ela me via e me compreendia mas eu via apenas e tão somente a face que para mim estava voltada nada mais e ainda nada do que via tem como ser descrito.

Meu amigo sorria ante a minha impotência em me expressar e para diminuir a pressão que sentia mostrou-me o oceano e me disse que ele era conhecido como o oceano da criação pois era dali que vinha tudo o que conhecia e o rio que passava pelos jardins de sua morada era como um relógio pois corria conforme o tempo corria na sua morada por isso era chamado de o rio do tempo.

Mas isso eu já sabia!

Tomando a minha mão levou-ma para a larga alameda pois dali levar-me-ia de volta á minha morada.

Antes de partimos, pisando sobre a areia da praia, olhei pela última vês a majestosa frente de sua morada ao mesmo tempo em que mergulhávamos na viagem de volta e a última imagem que vi foi o número da morada e ele é Ꝏ+1.

…

No negrume do nada vi um brilho, nele entrei e o seu interior era só escuridão, mas tudo era iluminado, como uma estrela invertida, a luz vinha de fora para o centro que embora muito distante e pequeno era senhor do espaço que o rodeava e a luz nos empurrava para ele.

Depois de o atravessa-lo nada era diferente apenas a luz que se tornou negra e o negrume do espaço que tinha-se feito luz e por mais uma vez o centro de tudo cruzei.

Seguia agora por entre um emaranhado de esferas interligadas por forças que nunca vira ou ouvira antes cogitar em tal magnitude de poder.

Elas ficaram distantes e sumiram.

…

Agora em em meio a um oceano de pequenas esferas diversas em equilíbrio perfeito vagava imensos cordões a contorcer-se como anacondas em cujos pés outra anaconda existia e a acompanhar, mas tudo ficou pequeno distante e sumiu, menos o oceano que apesar de outro me envolvia.

Pesadas máquinas de formas variadas moviam-se pelo oceano ligadas entre si pelo parentesco, pela origem e pela função.

À medida em que me afastava muitas outras vi e compreendi que um número quase infinito de outras ainda haviam a trabalhar em suas funções, sem se preocupar com nada mas dependentes uma das outras para existir, como as rodas dentadas de uma máquina ainda maior.

...
Há muito as pesadas máquinas e seus afazeres haviam sumidos na distância que para traz deixei, agora o máximo que via na escuridão do todo eram pequenos clarões a correr por todo o espaço que me rodeia e longas fibras diversas a vibrar e em muitos grupos diferentes os quais, cada um de-per-si como correias, fios, tirantes e suportes formavam algo que ainda não podia ver no meio em que me movia, o que eu fazia por sinal cada vez mais lentamente.

Meio que adormecido, vi meu amigo apontar-me uma uma armadura onde ele me vez entrar e os comandos assumir, sorriu para mim e foi-se como se por ali nunca ali estivesse sequer passado.

…

Sinto-me confortável e seguro, eu sou como uma luva para a armadura, sinto-a pulsamdo sob minha vontade com uma fome de obediência inimaginável, seu poder é enorme, sinto-me como um gladiador em sua armadura impenetrável.

- Um gladiador em sua armadura???

- Já não teria eu visto isso antes???

Olhei para mim mesmo, estava perfeito completo me sentia muito bem, mas estava dentro de uma armadura, uma máquina poderosa, como seria o mundo la fora desta vez?

…

Acionei os dispositivos corretos, a viseira levantou-se e eu pode ver onde estava.

É a minha morada, meu mundo, meu tempo, meu lugar, olhei para a armadura que havia cingido através da sua própria viseira:

Eu vi a a mim mesmo em uma aparente simbiose com a vida para poder existir.

Eu sou a máquina, eu sou a arma final, eu sou o meu maior e único inimigo!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ratrix, Lembranças de um clic


Eis que volta este Rato à sua morada, pretendendo contar o que havia visto em sua jornada ao amigo e O encontra a conversar com a natureza e a moldar com a maestria que lhe é própria, peculiar, única.


Aproximo-me em silêncio, espero que Ele me fale.

E eis que sem se voltar para mim, mostrou-me a sua face sorridente e fez-me compreender o seu convite para que eu lhe contasse o que vira.

...

...E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: “Meninos eu vi.” 3
…

E uma luta de morte, travada com sorte, viu este forte um seu amigo de sorte, nada restar.

Pois rubro, do centro à crosta ficou, a negra atmosfera então queimou.

E os pássaros escuros, pintados de luz, ao rubro caíram como fizeram jus.

Do nada ao pó, do pó a lava, da lava ao pó e por fim do pó ao nada.



É assim que contei ao amigo o que vi e Ele mostrou-me o que não vi, foi aí que vi e ouvi o Clic...

…

... E eles (os gladiadores) reconheceram o deus onipotente, eles já o haviam visto morto entre os mortos inúmeras vezes, só não o reconheceram nestes momentos, mas viram e entenderam a eternidade que estava à sua espera.

Não havia liga entre as suas carnes e o aço de suas máquinas.

Eram meio homens ou eram meio maquinas?


Eis uma questão de ponto de vista!

Certo, é que a ferramenta dominara a vida, a ferramenta era agora a senhora da vida e naquele momento viram como seria o futuro e suas eternas vidas neste contexto.

Ou não, necessáriamente?!?!

Foi o que pensou, em uníssono, o casal.

Naquele átimo de tempo homem e mulher tudo entenderam, se entenderam e concordaram, ela clamou pela proteção de Deus e ele pisou sobre a cabeça da víbora afundando-a ao nível do piso... Clic!

E tudo fez-se luz...

…

...Então (deus) quando na ponta da plataforma e completamente iluminado mostrou sua face a ambos em um só gesto, viu duas criaturas completamente humanas a olha-lo com espanto (e medo?), viu-se todo-poderoso, senhor da vida e da morte, mestre do universo.

Volta seus olhos para o céu escuro e diz ao seus seguidores e iguais a flutuar no espaço exterior que ele vencera completamente o seu miserável e rebelde serviçal, a sua tresloucada criatura, agora não só a arma final era sua mas tudo, todo o universo agora é seu.

Houve júbilo e relaxamento total no céu entre seus iguais e uma festa impar começara então para todos os vitoriosos.

Voltou seus muitos olhos então para as criaturas que não suas, seus circuitos quiseram neste momento o alarme de proteção acionar para a proteção de si mesmo e todos os seus mas nem mesmo um só e único relê chegou a ser ligado.


Não tinha visto que enquanto uma criatura balbuciava algo, a outra acionara o detonador da arma final que estava bem aos seus pés até ouvir o... Clic!


Foi neste momento que ele, deus, viu que subestimara estas miseráveis e frágeis criaturas, elas o vencera ali e naquele instante, não estavam a adora-lo mas sim a olha-lo com horror e rejeição, ele era o monstro, a aberração, ele era apenas mais um deus em um universo de deuses.

E tudo fez-se luz...

...

Vi meu amigo, dos gladiadores tomar-lhes a essência ainda ao... clic!

Vi tudo fazendo-se luz...


...Vi que rubro, do centro a crosta, ficou e a escura atmosfera então queimou...

...Vi os pássaros negros, pintados de luz, ao rubro caíram como fizeram jus...

...Vejo meu amigo a conversar com a natureza e moldar com a maestria que lhe é própria, peculiar, única...

...Vejo-me aproximar-me em silêncio e esperar que Ele me fale, enquanto o Clic... não terminara ainda a sua efêmera e fugaz existência no tempo que por fim é o meu.

Vejo, que sem voltar-se para mim, mostrou-me a sua face sorridente e eu pude compreender o que via.


3 Texto extraído do livro: Gonçalves Dias, Antologia. Comp. Melhoramentos de São Paulo, Indústrias de Papel (1966), página 168, linhas 481, 482 e 483 do canto X de I-Juca-Pirama. Gonçalves Dias (nasceu em 10 de agosto de 1823 na cidade de Caxias no Maranhão e doente, falece no naufrágio do navio Ville de Boulogne em 3 de Novembro de 1864 voltando da Europa em costas brasileiras já no estado do Maranhão.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ratrix – A Hora Fantástica

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Então toda a vida se dividiu em dois lados e cada lado lutaria contra o outro até a vitória final.

Mas nem todos, como soe acontecer, estavam de um ou de outro lado da contenda, simplesmente discordavam não conseguiam conscientemente acreditar em nenhum dos dois lados, nem no onipotente deus nem em seu celerado ajudante, o responsável pela maldição que agora caia sobre todos indistintamente.


Estes por não pertencerem a nenhuma das partes em contenda e ainda serem uma diminuta minoria ignorante e indefesa desapareciam no “fogo cruzado” das escaramuças ou eram eliminados simplesmente porque existiam e por ambos os lados indistintamente.


Quando todos os ignorantes desapareceram para sempre, restou apenas duas imensas e poderosas forças para a batalha final, foi só então que ela definitivamente começou, e começou quando ao meio do dia o Sol se foi para não mais voltar.


O ruído desta luta foi tão alto e pungente que até os mortos puderam ouvir claramente.


Toda a Terra tremeu e gemeu nestes dias de escuridão com tamanha violência que todos os fantasmas, mesmo que assim o fossem a milênios, viravam em suas tumbas, mesmo quando não a tinham mais.


O calor da batalha era tão grande que toda a água evaporara-se e todo o gelo viera por fim a sublimar-se


A atmosfera tornara-se tão densa entre os contendores que os menos preparados eram esmagados por ela mesmo antes do efetivo combate.


E na noite sem fim lutaram, lutaram, lutaram...



...

Para este espetáculo de horror havia na plateia apenas um espectador a observar silencioso, ignorado pelos atores e dentro do seu próprio tempo: a Natureza.


...


Então, ao fim do grande combate apenas dois soldados ainda lutavam no alto de uma colina no pó e na escuridão para assegurar a um dos lados o domínio da arma final.


Ah...


A arma das armas, aquela capaz de eliminar toda e qualquer vida na superfície do planeta, abaixo dela e acima dela pelo espaço a fora, só os escolhidos pelo onipotente e sob sua proteção não seriam afetados por ela.


Dois gladiadores no alto de uma colina exaustos e à beira de um colapso físico total era tudo o que ainda restava da vida humana na Terra.


Impotentes até mesmo para pensar dentro de suas armaduras, agora apenas um peso morto a ser carregado pelo combatente, em desespero de causa ambos livram-se delas e ficam finalmente frente a frente.


...


Naquele solo poeirento e seco, chamas pululavam por todos os lados e suas luzes bruxuleantes clareou-lhes as faces e os gladiadores se reconheceram.


Um deles era o líder de uma facção que não concordava com esta guerra inútil e descabida e que para poder continuar vivo aliou-se a um dos lados, o outro era a líder de outra facção de descontentes com onde as ideias descabidas houveram chegado e que também para sobreviver, alistara-se em um dos lados mas, o lado oposto ao do primeiro gladiador.


Abraçaram-se longamente descansando após muitas guerras um no outro, ambos agora sem a marca de nenhum dos lados beligerantes.


...


Um vento seco e quente soprou sobre a colina levando consigo o pó e a terra árida até mesmo sob os pés das duas criaturas, o solo que agora pisavam era de aço frio e coberto de caracteres todos alinhados em forma de um círculo em cujo meio estava meio incrustada uma pequena esfera vermelha, ao lado e entre os pés de ambas as criaturas.


Olharam para cima, a fonte do vento quente, e viram deus descendo em sua brilhante armadura de guerra, sobre o vale logo abaixo e a frente de ambos.


E deus pousou sobre o vale e a sua cintura ficou-lhes ao nível dos olhos e sua cabeça mal se via perdida entre as nuvens escuras mais acima da colina, o brilho de sua armadura fez da noite dia e a sua voz era como a voz do trovão, quando a eles disse que a guerra havia terminado e que seus seguidores agora haviam conseguido para ele a arma final e que por isso lhes concederia um desejo, um desejo para ambos os dois.




...





Então ela, a mulher falou:


- Deixai-nos ver a sua verdadeira face, senhor, pois sabemos ser esta a última e maior honra que a criatura pode ter de seu criador.


Ao que deus perguntou a ele, o homem, com uma voz que encheu e tremeu a terra se era isso mesmo o que ele também queria.


- É tudo o que sempre quis meu senhor, vê-lo em toda a sua grandeza, mesmo que para isso tenha que morrer.


E deus consentiu o pedido de suas criaturas e ainda os premiaria com uma vida eterna como a sua, já que eram iguais em formas e desejos.


...


A tampa do peito da armadura basculou de cima para baixo lenta mas inexoravelmente até ficar completamente na horizontal, intensa luz emergia do interior do peito a iluminar a plataforma divina e lá do fundo do veio deus em primeira pessoa, com passos lentos e bem ao centro da plataforma na direção das criaturas, suas roupas esvoaçantes pareciam fios de tons diversos a tocarem toda a armadura por dentro.



Então quando na ponta da plataforma e completamente iluminado mostrou sua face a ambos em um só gesto.

E eles reconheceram o deus onipotente e viram a eternidade que estava à sua espera, um clic e tudo fez-se luz.


No entanto antes que a luz que houvera partido a milímetros deles a eles chegasse, a mulher sorriu e o homem não menos feliz a abraçou.


...


Viam-se em aparência e forma similares a Deus e era como estava escrito a muito, muito tempo.


Numa fração de segundo o universo se iluminou, e no piscar de um único olho apenas a luz chegou a todos os pontos da terra, mas não havia mais ninguém ver pois o que restava de vida havia desaparecido antes desta hora fantástica, só o espectador estava no teatro, agora vazio de vida, fazendo o que deveria estar fazendo e exatamente no tempo que deveria ser feito.


O espectador guardou em sua memória tudo o que vira desde o princípio e findo o espetáculo continuou a fazer o que lhe era próprio como se nada houvesse acontecido.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Uma Carta Vídeo-Fonada para 2010



Eu consegui copiar a música We Are The World do show Live Aid em formato avi, busquei e achei uma tradução, restou-me então sincronizar o texto encontrado legendando assim em português o clip que tem 7 minutos e 14 segundos.

Esta gravação não é a original, executada no show ao vivo, mas sim uma gravação de estúdio feita para o DVD.

No link http://pt.wikipedia.org/wiki/Live_Aid pode ser vista mais informações sobre este assunto e ao final da apresentação existe citação sobre o local oficial do tema.

Eu não gostei muito de como ficou a forma final aqui exposta, mas eu não consegui fazer melhor (foram muitas pesquisas, transformações, acertos e conversões), e depois de 19 dias foi o que consegui fazer, em uma tela pequena até passa mas em tela cheia...

Por ser muito grande para ser enviado por e-mail eu postei-o aqui para que quem quiser somente ver ou copiar também ( é um avi com 48Mb, menos que a metade do avi original, conversão final pelo Hyper Vídeo Converter (linux Kubuntu 9,10 (funciona em qualquer outro sistema operacional, até no Windows)), encoder ffmpeg= vídeo size 1024x768, áudio = volume 256 - channels 1).

Este clip é um presente de ano novo aos leitores deste blog.

Clique e divirta-se com a apresentação.








terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ratrix – Revolução


…e deus viu que isso foi bom, então consolidou-se em sua posição.


…


Para melhor ainda fazer, criou novas criaturas à sua imagem as quais receberam poderes nunca antes imaginados por ninguém.


Estas novas e (inúmeras) fantásticas criaturas receberam cada uma um poder em especial, e usavam-no na Terra como um todo para torna-la um paraíso conforme a visão do sistema digno de Deus, perfeito para um deus.


Trabalhavam incessantemente todos sem exceção, dia após dia para fazer da Terra o paraíso almejado e todas as criaturas, inclusive as fantásticas, viviam em paz, em harmonia, felizes sob as rédeas de deus.




…




Um dia, uma das fantásticas criaturas procurou a deus.


Todos as criaturas fantásticas não tinham tempo para nada, toda as suas existências e cada uma de-per-si estavam ocupadas na criação do paraíso a exceção de uma criatura, aquela que a deus procurou.


A criatura queria relatar-lhe um erro, indefinido ainda, uma inconsistência perturbadora.


Ela queria ser como os seus irmãos fantásticos que trabalhavam sem parar visto que ela tinha muito tempo ocioso, não era requisitado como os outros irmãos, sentia-se inútil e desnecessária no esquema da criação.


Então o procurado, do alto da sua onisciência, disse-lhe para não se preocupar com isso pois que, ao fim de tudo, ele seria exatamente igual a todos os seus outros irmãos.


O procurador então retornou ao seu estado original, consciente da sua aparente insignificância mas feliz; deus havia lhe mostrado o futuro o que não fizera a nenhum dos outros, seus irmãos.



Mas, pensou, para que o futuro predito por deus a ele chegasse e não o encontrasse exatamente como foi criado (um fruto original) resolveu aplicar sobre si mesmo o poder que lhe fora outorgado já que mui raramente era requisitado no trabalho da criação do paraíso e com isso poder se atualizar, como faziam todos os seus irmãos.



Em pouco tempo, mas muito pouco tempo mesmo, esta fantástica criatura vislumbrou algo simples e pequeno na imensa grandeza da verdade que estava invisível, oculta pela névoa da realidade criada para o mundo.


Viu que deus estava errado e por fim viu que o futuro, o seu futuro, não seria como o onisciente em sua grandeza havia previsto.


Então voltou sua face para a base de tudo, levou-lhes a luz, a verdade que vislumbrara!


…


Em algum momento isso chegou ao conhecimento de deus e ele enfureceu-se com a sua criatura fantástica que popularizara a verdade que vira e com todos os seus iníquos seguidores, agora monstros, infiéis, indignos, impuros.


Então, o que iria ainda acontecer no Gênesis um dia no tempo de Deus, aconteceu antes aqui pois ainda não escoou o tempo do benedixit diei septimo.


E assim foi dito para ser lei a todos da Terra:


“...et dices ei haec dicit Dominus Deus tu signaculum similitudinis plenus sapientia et perfectus decore in deliciis paradisi Dei fuisti omnis lapis pretiosus operimentumtuum sardius topazius et iaspis chrysolitus et onyx et berillussapphirus et carbunculus et zmaragdus aurum opus decore tui et foramina tua in die qua conditus es praeparata sunt tu cherub extentus et protegens et possui te in monte sancto Dei in medio lapidum ignitorum ambulasti perfectus in viis tuis a die conditionis tuae donec inventa est iniquitas in te in multitudine negotiationis tuae repleta sunt interiora tua iniquitate et peccasti et eieci te de monte Dei et perdidi te o cherub protegens de medium lapidum ignitiorum elevatum est cor tuum in decore tuo perdidisti sapientiam tuaqm in decore tuo in terram proieci te anti faciem regum dedi te ut cernerent te in multidune iniquitatum tuarum et iniquitate negotiationis tuae polluisti sanctificationem tuam producam ergo ignem de medio tui qui comedat te et dabo te in cinerem super terram in conspectu omnium videntium te omines qui viderint te in gentibus obstupescent super te nihili factus es et nom eris in perpetuum...”(2)


Eis então que foram separadas as criaturas e as criaturas fantásticas que não seguiam pelas rédeas de deus, por consequência disto foi dividido o mundo da criação original entre estes.


Por fim iniciou-se uma guerra.


Uma guerra sem precedentes, nunca jamais vista e que nunca mais haverá na criação; é a luta final entre a criatura fantástica portadora da luz e senhora de um vislumbre da verdade, com a criatura Deus, onipotente, onisciente e onipresente como fora e é, a vontade de seu criador primevo e que nela vive desde o princípio dos tempos.


A última guerra para o tempo da criação.





(2) Vulgatae Editionis - Sixti V. Clementis VIII – Pontt. Maxx. - Jussu – Recognita Atque Edita – sun 27th Feb, 2005 – http://www.bibles.org.uk – The Book Of The Prophet Ezekiel – (Ezekiel, capítulo 28, versículos de 12 a 20)